A auriculoterapia consiste no estímulo no pavilhão auricular, que pode ser realizado percutaneamente por meio de agulhas ou por métodos não invasivos, como esferas de demora, laser, eletroestimulação transcutânea ou mesmo estimulação manual. Em relação à auriculoterapia, assinale a opção correta.
- A)A sangria do pavilhão auricular é uma técnica simples e não requer maiores cuidados, uma vez que a vascularização arterial é pobre e apresenta baixo risco de hematoma subpericondral.
Errada: a sangria no pavilhão auricular exige cuidados, porque a região é vascularizada e pode haver sangramento, hematoma e outros eventos locais.
- B)A cartilagem do pavilhão auricular é ricamente vascularizada, mas não há risco de condrite, mesmo na auriculoterapia com agulhas de demora.
Errada: a cartilagem auricular depende do pericôndrio para nutrição e há risco de condrite, especialmente em técnicas invasivas ou com manutenção prolongada de agulhas.
- C)A inervação sensorial da orelha externa é simples e bem delimitada, por isso cada ponto do mapa auricular aciona exatamente a região cortical correspondente ao ponto estimulado.
Errada: a inervação da orelha externa é complexa e o mapa auricular não corresponde de forma exata e literal a áreas corticais específicas.
- D)É possível estimular o ramo auricular do nervo vago e o sistema nervoso autônomo por meio da auriculoterapia nas conchas do pavilhão auricular.
Certa: a auriculoterapia pode estimular áreas da concha relacionadas ao ramo auricular do nervo vago e modular o sistema nervoso autônomo.
- E)Há evidências científicas do benefício da auriculoterapia apenas para o tratamento da ansiedade, não se mostrando útil no tratamento da dor ou de disfunções viscerais.
Errada: há estudos e uso clínico também para dor e algumas disfunções viscerais, não apenas para ansiedade.
Gabarito: D
A auriculoterapia parte da ideia de que o pavilhão auricular pode ser usado como uma espécie de mapa reflexo do corpo, com estímulos por agulhas, sementes, laser, pressão manual e outras técnicas. Em prova, o ponto-chave não é decorar todo o mapa, mas entender que a orelha externa tem conexões nervosas relevantes e pode modular dor, funções autonômicas e sintomas viscerais. A lógica é: estimula, o sistema responde. Simples assim, sem magia de desenho anatômico perfeito. O gabarito é a letra D porque existe a possibilidade de estimular o ramo auricular do nervo vago em áreas da concha do pavilhão auricular, influenciando o sistema nervoso autônomo. Isso é a base de muitas propostas de auriculoterapia com efeito neuromodulador, inclusive em estudos sobre dor, ansiedade e outros sintomas. Ou seja, a concha não é enfeite anatômico: ela pode ter papel funcional importante. As outras alternativas tentam passar uma impressão de simplicidade absoluta, e aí mora o perigo. A orelha é bem vascularizada, tem inervação complexa e não é verdade que procedimentos percutâneos sejam isentos de cuidado. Além disso, a auriculoterapia não ficou restrita à ansiedade; há estudos e uso clínico em dor e em sintomas funcionais/viscerais, embora a qualidade da evidência varie conforme a indicação.