A respeito de insuficiência cardíaca, assinale a opção correta.
- A)Os betabloqueadores são recomendados, em regra, para todos os pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr), com exceção daqueles em classe funcional IV de NYHA, quando internados.
Errada, porque betabloqueadores são indicados na ICFEr, mas não se fala em iniciar ou manter de forma indiscriminada em todo paciente internado, especialmente se estiver instável.
- B)Os digitálicos são drogas de primeira linha no tratamento inicial da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida.
Errada, porque digitálicos não são droga de primeira linha na ICFEr; eles podem ter papel adjuvante em casos selecionados, como controle de sintomas ou frequência em fibrilação atrial.
- C)Os inibidores de neprisilina e dos receptores da angiotensina (INRA) podem ser associados aos inibidores da enzima de conversão de angiotensina (IECA) no tratamento da insuficiência cardíaca.
Errada, porque INRA e IECA não devem ser associados, já que isso aumenta risco de angioedema e outros efeitos adversos, sem benefício recomendado.
- D)Durante o tratamento da insuficiência cardíaca aguda, deve-se evitar a suspensão de betabloqueadores em pacientes que já fazem uso prévio dessa classe medicamentosa, havendo raras exceções.
Certa, porque na insuficiência cardíaca aguda deve-se evitar suspender betabloqueadores já em uso, exceto em situações como choque, bradicardia importante ou hipoperfusão.
- E)Os inibidores do cofator 2 transportador de sódio e glicose (SGLT2), usados no tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, não podem ser associados a drogas antidiabéticas como a metformina.
Errada, porque os inibidores de SGLT2 podem ser associados à metformina no diabetes, e essa combinação é até comum na prática clínica.
Gabarito: D
Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, o tratamento mudou bastante: hoje a ideia é combinar classes que melhoram sintomas e, principalmente, reduzem mortalidade. Entre elas estão betabloqueadores, IECA/BRA ou, em muitos casos, o INRA, antagonistas de mineralocorticoide e os inibidores de SGLT2. Parece uma sopa de letrinhas, mas o raciocínio é simples: manter o coração sob controle, sem tirar remédios que já estão ajudando quando o quadro piora. O ponto central da questão é que, na insuficiência cardíaca aguda, se o paciente já usa betabloqueador, em regra você não deve suspendê-lo de rotina. A suspensão pode descompensar ainda mais o quadro, aumentar taquicardia e piorar prognóstico. Só há exceções, como choque cardiogênico, hipoperfusão importante, bradicardia grave ou necessidade de suporte inotrópico, situações em que a segurança vem primeiro. Por isso o gabarito é a letra D: o tratamento da insuficiência cardíaca aguda, em geral, preza por evitar a interrupção do betabloqueador já em uso, salvo raras exceções clínicas. As diretrizes de insuficiência cardíaca, como as da Sociedade Brasileira de Cardiologia e as internacionais ACC/AHA/HFSA e ESC, seguem essa lógica. As demais alternativas trazem erros clássicos: nem todo paciente com ICFEr recebe betabloqueador imediatamente, digitálicos não são primeira linha, INRA não deve ser combinado com IECA, e SGLT2 pode, sim, ser associado a metformina quando houver indicação diabética.