Considerando o manejo da pancreatite aguda baseado em evidências científicas, assinale a opção correta.
- A)A terapia de suporte compreende a ressuscitação volêmica, preferencialmente realizada com coloides, sendo comum haver necessidade de infusão de 2.500 mL a 4.000 mL de líquido nas primeiras 24 h.
Errada, porque a ressuscitação volêmica deve ser preferencialmente com cristaloides, como solução ringer lactato, e não com coloides.
- B)O controle da dor é parte importante do tratamento de suporte nos pacientes com pancreatite aguda, sendo admitido o uso de AINE, dipirona e paracetamol, devendo os opioides ser evitados, por provocarem piora da inflamação pancreática.
Errada, porque opioides podem ser usados no controle da dor e não devem ser evitados por supostamente piorarem a inflamação pancreática.
- C)A colangiopancreatografia retrógrada endoscópica está contraindicada nas primeiras 48 h em pacientes com pancreatite aguda.
Errada, porque a CPRE não é contraindicada de modo geral nas primeiras 48 horas; ela é indicada em situações específicas, como colangite ou obstrução biliar persistente.
- D)Antibioticoterapia profilática voltada para a cobertura de bactérias gram-negativas e anaeróbias reduz taxas de infecção de necroses pancreáticas e infecções não pancreáticas associadas ao quadro de pancreatite aguda.
Errada, porque antibioticoterapia profilática não reduz mortalidade nem é recomendada de rotina na pancreatite aguda, inclusive na necrose pancreática estéril.
- E)Ao paciente com pancreatite aguda recomenda-se realimentação precoce, dentro das primeiras 48 h a 72 h, se possível, na forma oral ou enteral. Nos casos leves, dieta oral branda restrita em gordura pode ser administrada já na admissão, se tolerada.
Certa, porque a realimentação precoce por via oral ou enteral é recomendada, e nos casos leves a dieta oral pode ser iniciada já na admissão se houver tolerância.
Gabarito: E
Na pancreatite aguda, o tratamento mudou bastante com as evidências: a base continua sendo suporte clínico, com hidratação, analgesia, controle de náuseas e introdução precoce da alimentação quando possível. A ideia não é deixar o paciente “em jejum eterno”, porque o intestino parado piora desfechos e aumenta complicações. A realimentação precoce é recomendada nas formas leves e, se o paciente tolerar, pode ser feita já na admissão com dieta oral branda e pobre em gordura. Se não der para comer, usa-se nutrição enteral. Isso reduz complicações e costuma ser melhor do que manter nutrição parenteral sem necessidade. Também vale lembrar que antibiótico profilático não é rotina na pancreatite aguda, inclusive na necrose pancreática estéril. E a CPRE não é “proibida” de forma automática nas primeiras 48 horas; ela entra principalmente quando há suspeita de obstrução biliar persistente ou colangite. Analgesia com opioides pode ser usada, porque dor forte precisa ser controlada e eles não pioram a inflamação pancreática por si só. Por isso, a alternativa E está correta: ela traduz a conduta atual baseada em evidências, com alimentação precoce por via oral ou enteral, especialmente nos casos leves, quando o paciente tolera. Em prova, pense assim: pancreatite aguda pede suporte inteligente, e não um jejum dramático com antibiótico para todo mundo.