Tendo como referência a IV Conferência de Consenso Brasileira em Infecção por H. pylori, assinale a opção correta.
- A)A primeira linha de tratamento da H. pylori consiste na associação de um inibidor de bomba de prótons, amoxicilina e claritromicina, administrados duas vezes ao dia, durante 7 dias.
Errada, porque a formulação está incompleta e desatualizada ao tratar como regra fixa um esquema tríplice por 7 dias para primeira linha, sem considerar as recomendações do consenso e o cenário de resistência local.
- B)Pacientes com queixas dispépticas, resultado de exame endoscópico normal e pesquisa de H. pylori positiva devem receber tratamento para erradicação da bactéria.
Certa, porque em paciente com dispepsia, endoscopia normal e H. pylori positivo, a erradicação é indicada conforme a lógica do consenso para esse quadro clínico.
- C)O uso rotineiro de probióticos em associação com o esquema de tratamento da H. pylori está recomendado, por aumentar as taxas de erradicação dessa bactéria.
Errada, porque probióticos não são recomendação rotineira obrigatória para aumentar taxa de erradicação, podendo até ser adjuvantes em alguns contextos, mas não conduta padrão do consenso.
- D)A erradicação da H. pylori deve ser evitada em pacientes com refluxo gastroesofágico, pois está associada a uma piora dos sintomas.
Errada, porque a erradicação de H. pylori não deve ser evitada de forma geral em pacientes com refluxo gastroesofágico; isso não configura contraindicação padrão.
- E)O controle da erradicação da H. pylori deve ser realizado pelo menos duas semanas após o término do tratamento com o esquema tríplice ou quádruplo de antibioticoterapia.
Errada, porque o teste de controle da erradicação deve respeitar um intervalo adequado após antibióticos e IBP, e não apenas duas semanas como regra isolada para qualquer esquema.
Gabarito: B
A infecção por H. pylori é um tema clássico de prova porque mistura conduta clínica com algumas regras de ouro do consenso. A ideia central é simples: nem toda positividade exige tratamento, mas há situações em que a erradicação é indicada por benefício claro, como em pacientes dispépticos com endoscopia sem lesões e teste positivo para H. pylori. Nesses casos, a bactéria pode estar participando do quadro e tratar faz sentido, inclusive para reduzir recorrência de sintomas e risco de doença ulcerosa. O gabarito é a letra B porque, na lógica do consenso, o paciente com dispepsia, endoscopia normal e H. pylori positivo deve ser considerado para erradicação. É o típico cenário em que a investigação não encontrou outra causa orgânica e a bactéria vira alvo terapêutico razoável. Em prova, isso costuma aparecer como a conduta correta em dispepsia funcional associada à infecção. As outras alternativas escorregam em detalhes importantes. O esquema clássico inicial não é a versão simplificada da alternativa A em qualquer contexto, e a duração do tratamento foi ampliada nas recomendações mais modernas, com variações conforme resistência e esquema usado. Também não existe recomendação rotineira de probióticos como estratégia obrigatória para aumentar erradicação, nem se deve evitar erradicar H. pylori por medo de piorar refluxo gastroesofágico de forma geral, porque isso não é uma contraindicação padrão. Já o controle de erradicação exige cuidado com o tempo e com a medicação em uso: não basta contar poucos dias após o antibiótico, porque IBP e antibióticos podem falsear o resultado. Em prova, essa é uma armadilha frequente: o examinador troca o intervalo e vê quem marcou no impulso.