A respeito do diagnóstico e tratamento da leucemia mieloide crônica (LMC), assinale a opção correta.
- A)O diagnóstico de LMC pode ser confirmado em pacientes com quadro clínico e hemograma característicos, mesmo quando não se identifica a t(9:22) por estudo citogenético e(ou) metodologias de biologia molecular.
Errada: o diagnóstico de LMC exige demonstração do BCR::ABL1, não bastando quadro clínico e hemograma típicos.
- B)A avaliação de resposta ao tratamento da LMC deve ser realizada por meio da quantificação do transcrito BCR::ABL em aspirado de medula óssea.
Errada: a resposta ao tratamento é monitorada preferencialmente pela PCR quantitativa do BCR::ABL1 em sangue periférico, não rotineiramente em medula óssea.
- C)O imatinib continua sendo o tratamento de escolha de primeira linha para a maior parte dos pacientes adultos e pediátricos com diagnóstico de LMC.
Certa: o imatinibe é o inibidor de tirosinoquinase clássico e, na lógica cobrada pela questão, segue como tratamento de primeira linha para a maioria dos pacientes.
- D)Uma vez iniciado o tratamento com inibidores de tirosinoquinase, ele deve ser mantido indefinidamente.
Errada: os inibidores de tirosinoquinase não precisam ser mantidos indefinidamente em todos os casos, pois pode haver suspensão em pacientes selecionados com resposta profunda e controle rigoroso.
- E)O diagnóstico de LMC deve ser confirmado sempre que for identificado o transcrito BCR::ABL.
Errada: identificar o transcrito BCR::ABL1 confirma LMC na maioria das situações, mas o enunciado usa o “sempre”, que torna a assertiva excessiva e inadequada.
Gabarito: C
A leucemia mieloide crônica (LMC) é uma doença mieloproliferativa causada, na imensa maioria dos casos, pela fusão BCR::ABL1, resultado clássico da translocação t(9;22), o chamado cromossomo Filadélfia. Na prática, o diagnóstico não é feito só pelo hemograma bonito e pela suspeita clínica: você precisa demonstrar o rearranjo BCR::ABL1 por citogenética, FISH ou biologia molecular. Sem isso, falta o carimbo definitivo. No acompanhamento, a resposta ao tratamento é monitorada principalmente pela quantificação do transcrito BCR::ABL1 em sangue periférico por PCR em tempo real, e não por aspirado de medula óssea. Isso ajuda a acompanhar resposta hematológica, citogenética e molecular de forma mais sensível. A medula entra mais quando há dúvida, falha terapêutica ou necessidade de reavaliar a doença. O ponto central da questão é o tratamento. O imatinibe foi o primeiro grande inibidor de tirosinoquinase a mudar o jogo na LMC e, em muitas referências clássicas de prova, aparece como tratamento de primeira linha para a maior parte dos pacientes adultos e pediátricos. Ele bloqueia a atividade tirosinoquinase da proteína BCR::ABL1 e controla a doença de modo muito eficaz. As outras alternativas escorregam em detalhes importantes: diagnóstico sem demonstrar BCR::ABL1 não fecha LMC; a monitorização molecular não deve ser feita de rotina em medula óssea; e o tratamento com TKI não é, em regra, “para sempre”, porque em casos selecionados pode haver suspensão planejada com monitorização rigorosa. Portanto, a correta é a letra C.