Acerca dos métodos de investigação das afecções coloproctológicas, assinale a opção correta.
- A)A colonoscopia sem preparo intestinal é o primeiro exame de imagem a ser solicitado na suspeita de colite tóxica fulminante relacionada com a colite ulcerativa.
Errada: na suspeita de colite tóxica fulminante, o exame inicial costuma ser radiografia simples ou tomografia, e não colonoscopia sem preparo, que pode agravar o risco de perfuração.
- B)A possibilidade de translocação bacteriana leva todos os pacientes que serão submetidos à colonoscopia a receberem antibioticoprofilaxia
Errada: colonoscopia não exige antibioticoprofilaxia de rotina em todos os pacientes, pois a bacteremia relevante é incomum e a profilaxia fica restrita a situações específicas.
- C)A incidência de perfuração do cólon durante uma colonoscopia é maior quando o exame é realizado para rastreamento de neoplasias malignas do que quando feito para polipectomia.
Errada: o risco de perfuração é maior em colonoscopias terapêuticas e em cólons doentes, não sendo maior no rastreamento do que na polipectomia.
- D)A tomografia computadorizada de abdome é o exame de primeira escolha na avaliação do paciente com suspeita clínica de diverticulite.
Certa: a tomografia computadorizada de abdome é o exame de primeira escolha na avaliação da suspeita clínica de diverticulite, por mostrar inflamação e complicações.
- E)O exame com cápsula endoscópica é a primeira escolha na investigação da fístula anal.
Errada: cápsula endoscópica não é exame de primeira linha para fístula anal, que é avaliada principalmente por exame físico, ultrassonografia endoanal, ressonância ou tomografia em casos selecionados.
Gabarito: D
Quando o assunto é investigação das afecções coloproctológicas, a lógica do exame depende muito da suspeita clínica. Nem sempre o exame mais “famoso” é o mais útil na urgência. Em quadros inflamatórios agudos do cólon, especialmente quando se pensa em diverticulite, a tomografia computadorizada de abdome é o exame de escolha porque avalia a extensão da inflamação, identifica complicações como abscesso, perfuração e fístulas, e ajuda a afastar diagnósticos que imitam o quadro. Na diverticulite aguda, a colonoscopia não é o exame inicial, porque insuflar e manipular o cólon inflamado pode piorar o quadro e aumentar o risco de perfuração. Por isso, a prática correta é primeiro estabilizar e confirmar com imagem, deixando a avaliação endoscópica para depois, quando a fase aguda já passou, se houver indicação. A alternativa D está correta exatamente por isso: a tomografia de abdome é a primeira escolha na suspeita clínica de diverticulite. Esse é o raciocínio clássico cobrado em prova e alinhado ao manejo recomendado nas referências clínicas e diretrizes gastroenterológicas, que priorizam a TC na avaliação inicial do abdome agudo localizado em fossa ilíaca esquerda. As demais opções misturam conceitos de endoscopia, preparo e indicação de antibiótico. Em prova, a banca gosta de trocar o exame certo pelo exame “parecido”, ou colocar um exame útil em outra situação e vender como primeira linha. Aqui, o segredo foi reconhecer que, em inflamação colônica aguda, a imagem tomográfica costuma mandar mais que a colonoscopia.