Acerca de doenças gastrointestinais e hepáticas, assinale a opção correta.
- A)A maioria dos pacientes acometidos de doença ulcerosa péptica apresenta sintoma de pirose ou azia.
Errada: pirose ou azia é sintoma mais típico de refluxo gastroesofágico do que de doença ulcerosa péptica.
- B)A presença de gastrite crônica ativa frequentemente está associada a infecção por H. pylori, entretanto, quando presente essa associação, apenas uma minoria desenvolve doença ulcerosa péptica.
Certa: gastrite crônica ativa costuma se associar a H. pylori, mas só uma minoria dos infectados evolui para doença ulcerosa péptica.
- C)Na doença de Crohn, o processo inflamatório limita-se à mucosa e à submucosa superficial, sem acometimento das camadas mais profundas, exceto em sua forma fulminante.
Errada: na doença de Crohn o acometimento é transmural, podendo atingir camadas profundas e gerar fístulas e estenoses.
- D)O sintoma de odinofagia é mais comumente encontrado na esofagite causada por doença do refluxo gastroesofágico que na provocada por fármacos ou por causa infecciosa.
Errada: odinofagia é mais sugestiva de esofagite por fármacos ou infecciosa do que de refluxo gastroesofágico.
- E)A consequência histológica mais comum da doença do refluxo gastroesofágico é a metaplasia de Barrett, a qual provoca larga sintomatologia, porém sem risco definido de associação à malignidade.
Errada: o esôfago de Barrett é uma complicação histológica do refluxo com risco aumentado de adenocarcinoma, e não sem risco de malignidade.
Gabarito: B
A questão mistura quadros bem cobrados em gastroenterologia: doença ulcerosa péptica, gastrite por H. pylori, esofagites e doença de Crohn. O ponto principal aqui é lembrar que a infecção por Helicobacter pylori é muito frequente na gastrite crônica ativa, mas isso não significa que todo paciente vai evoluir para úlcera. Na prática, a maioria dos infectados não desenvolve doença ulcerosa péptica, embora o risco aumente em grupos específicos e conforme o padrão de inflamação e outros fatores associados. Por isso, a alternativa B está correta: ela descreve com precisão a relação entre gastrite crônica ativa e H. pylori, destacando que a associação é comum, mas a progressão para úlcera ocorre apenas em uma minoria. Isso é coerente com a fisiopatologia clássica ensinada em gastroenterologia. As demais opções trazem erros típicos de prova. Pirose é mais lembrada no refluxo, não como sintoma predominante da úlcera péptica. Na doença de Crohn, a inflamação é transmural, pegando camadas profundas e podendo formar fístulas. Odinofagia chama mais atenção em esofagite infecciosa ou medicamentosa do que no refluxo. E o Barrett não é uma consequência histológica “sem risco” para malignidade, porque tem associação com adenocarcinoma esofágico.