Acerca do manejo da hipertensão arterial sistêmica (HAS) essencial, termo usado para descrever a elevação da pressão arterial sem causa prontamente detectável, assinale a opção correta.
- A)A associação de nova classe de anti-hipertensivo ao esquema atual deve ser feita após se atingir a dose máxima dos medicamentos já em uso.
Errada: a adição de nova classe pode ser feita antes de atingir a dose máxima, se a resposta estiver insuficiente ou houver limitação de tolerabilidade.
- B)O achado de fio de cobre na fundoscopia é caracterizado pelo aumento progressivo da espessura da parede arteriolar devido ao efeito aterosclerótico induzido pela elevação da pressão de longa data.
Certa: o fio de cobre na fundoscopia reflete espessamento e alteração crônica da parede arteriolar na hipertensão de longa data.
- C)A medida da pressão arterial domiciliar e o MAPA possuem menor acurácia diagnóstica que a medida isolada em consultório, servindo apenas para exclusão da hipertensão do avental branco.
Errada: a medida domiciliar e a MAPA aumentam a acurácia diagnóstica e são essenciais para detectar avental branco e hipertensão mascarada.
- D)Nos quadros de HAS, os alfabloqueadores são as drogas de escolha para o início da terapia medicamentosa.
Errada: alfabloqueadores não são drogas de escolha para iniciar tratamento da HAS; os fármacos de primeira linha são outros, conforme o caso clínico.
- E)Mudanças no estilo de vida, como redução do consumo de sódio, prática de atividade física regular e perda de peso nos casos de pacientes obesos têm efeito positivo apenas no que se refere à hipertensão arterial secundária.
Errada: mudanças no estilo de vida beneficiam tanto a hipertensão essencial quanto a secundária, e fazem parte do tratamento de ambas.
Gabarito: B
Na hipertensão arterial sistêmica essencial, o raciocínio do tratamento costuma começar com medidas não medicamentosas e, quando necessário, com fármacos escolhidos conforme o perfil do paciente, gravidade e risco cardiovascular. Não existe uma regra de "esperar tudo falhar" para só depois somar outro remédio: muitas vezes a combinação vem cedo, principalmente se a pressão estiver bem acima da meta. A grande sacada da questão está na fundoscopia. O chamado "fio de cobre" aparece quando a arteríola da retina fica mais espessa e reflete mais luz, dando esse aspecto brilhante e acobreado. Isso acontece por alterações crônicas da parede vascular na hipertensão de longa data, com estreitamento e endurecimento arteriolar. Em provas, isso costuma vir junto com "fio de prata", que é uma etapa mais avançada, com reflexo ainda mais intenso. Então, o item B está correto porque descreve o achado típico da retinopatia hipertensiva crônica: espessamento da parede arteriolar, com alteração do calibre e do reflexo luminoso. É uma pista clássica de lesão de órgão-alvo, muito cobrada em clínica e cardiologia. Como regra prática, lembre que a aferição fora do consultório, como a medida domiciliar e a MAPA, tem papel importante para confirmar diagnóstico e detectar fenótipos como hipertensão do avental branco e hipertensão mascarada. Ou seja, não são exames "menores"; pelo contrário, ajudam bastante na precisão diagnóstica.