Um paciente de 63 anos de idade apresentou dois episódios de síncope ao esforço no último mês, tendo sido diagnosticado com estenose aórtica grave. Na situação clínica precedente, o paciente deve ser orientado a submeter-se a tratamento cirúrgico, uma vez que pacientes com o mesmo quadro e não tratados com cirurgia têm uma expectativa de vida média prevista de
- A)5 anos.
Errada, porque 5 anos superestima a sobrevida de paciente com estenose aórtica grave já sintomática.
- B)1 ano.
Errada, porque 1 ano é um valor muito abaixo do esperado para esse quadro específico, embora o prognóstico seja ruim.
- C)8 anos.
Errada, porque 8 anos é compatível com fase assintomática ou doença menos avançada, não com estenose aórtica grave sintomática.
- D)3 anos.
Certa, porque a síncope ao esforço em estenose aórtica grave indica piora prognóstica importante, com expectativa média de vida sem cirurgia em torno de 3 anos.
- E)4 anos.
Errada, porque 4 anos fica acima do valor clássico cobrado para estenose aórtica grave já sintomática.
Gabarito: D
A estenose aórtica grave é uma daquelas valvopatias que não gostam de ficar silenciosas: quando aparece sintoma, principalmente angina, síncope ou dispneia, o jogo muda. Nessa fase, o tratamento definitivo costuma ser cirúrgico ou por implante valvar, porque o risco de morte e de piora clínica sobe bastante. No caso descrito, o ponto-chave é a síncope ao esforço em paciente com estenose aórtica grave. Isso é sintoma clássico de gravidade e indica necessidade de intervenção. Sem cirurgia, a evolução natural é ruim, e a expectativa de vida média cai para cerca de 3 anos após o início dos sintomas, especialmente quando a síncope entra no quadro. Por isso, o gabarito é a letra D. A banca quer que você reconheça a tríade clássica da estenose aórtica sintomática e lembre que a presença de sintomas é indicação forte de correção da valva, não de simples acompanhamento. Em prova, estenose aórtica grave + sintoma quase sempre grita: tratar agora. Como referência doutrinária, esse dado de prognóstico é o tradicionalmente ensinado em cardiologia clínica e aparece de forma consistente em diretrizes de valvopatias: após o início dos sintomas, a sobrevida sem intervenção despenca, e a síncope é um marcador de mau prognóstico.