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Medicina · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Medicina

Com respeito aos diversos aspectos envolvidos no choque, assinale a opção correta.

Gabarito: D

Choque é, de forma simples, uma falha de perfusão tecidual: o sangue até pode estar circulando, mas não está chegando direito aos órgãos. Na prática, isso costuma aparecer com sinais de má perfusão, como pele fria, rebaixamento do sensório, oligúria, taquicardia e queda de pressão, dependendo do tipo e da fase do choque. O organismo tenta compensar com catecolaminas, por isso a taquicardia é um achado bem frequente no início. No choque hemorrágico, o problema central é a perda de volume intravascular. Menos sangue circulando significa menos retorno venoso, menor débito cardíaco e, consequentemente, hipotensão. Como resposta, o corpo acelera o coração para tentar manter a perfusão. Então, é bem típico o paciente estar taquicárdico e hipotenso, especialmente quando a hemorragia já está clinicamente relevante. As demais alternativas misturam conceitos de outros quadros. No choque hipovolêmico, a pressão venosa central tende a estar baixa, não alta. Em choque hemorrágico, transfusão pode ser necessária, mas não é "mandatória" em qualquer intensidade. Tamponamento cardíaco não tem relação com ruptura do septo ventricular e sangue nos átrios. E sepse grave costuma cursar com hipoperfusão, hipotensão e, muitas vezes, oligúria, não com poliúria e hipertensão. Ou seja: quando o tema é choque, pense primeiro em perfusão e resposta compensatória. Se há perda de volume por sangramento, o corpo tenta reagir com taquicardia, mas a pressão tende a cair quando a compensação falha. É o clássico retrato do choque hemorrágico.

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