Com respeito aos diversos aspectos envolvidos no choque, assinale a opção correta.
- A)No paciente em choque hipovolêmico, a pressão venosa central é habitualmente maior do que 20 mmHg.
Errada: no choque hipovolêmico, a pressão venosa central costuma estar baixa, porque há redução do volume circulante e do retorno venoso.
- B)A transfusão sanguínea é mandatória em pacientes com choque hemorrágico, independentemente de sua intensidade.
Errada: a transfusão pode ser necessária em hemorragias importantes, mas não é obrigatória em todo choque hemorrágico, pois depende da gravidade e do contexto clínico.
- C)O tamponamento cardíaco ocorre quando há ruptura do septo ventricular e o sangue se acumula nos átrios.
Errada: tamponamento cardíaco é acúmulo de líquido no pericárdio com compressão do coração, não ruptura do septo ventricular nem sangue acumulado nos átrios.
- D)Os pacientes em choque hemorrágico geralmente estão taquicárdicos e hipotensos.
Certa: no choque hemorrágico, a perda de volume gera taquicardia compensatória e, se a descompensação ocorre, hipotensão.
- E)Os pacientes em sepse grave habitualmente apresentam poliúria e hipertensão arterial.
Errada: sepse grave geralmente cursa com hipoperfusão, podendo haver hipotensão e oligúria, e não poliúria e hipertensão.
Gabarito: D
Choque é, de forma simples, uma falha de perfusão tecidual: o sangue até pode estar circulando, mas não está chegando direito aos órgãos. Na prática, isso costuma aparecer com sinais de má perfusão, como pele fria, rebaixamento do sensório, oligúria, taquicardia e queda de pressão, dependendo do tipo e da fase do choque. O organismo tenta compensar com catecolaminas, por isso a taquicardia é um achado bem frequente no início. No choque hemorrágico, o problema central é a perda de volume intravascular. Menos sangue circulando significa menos retorno venoso, menor débito cardíaco e, consequentemente, hipotensão. Como resposta, o corpo acelera o coração para tentar manter a perfusão. Então, é bem típico o paciente estar taquicárdico e hipotenso, especialmente quando a hemorragia já está clinicamente relevante. As demais alternativas misturam conceitos de outros quadros. No choque hipovolêmico, a pressão venosa central tende a estar baixa, não alta. Em choque hemorrágico, transfusão pode ser necessária, mas não é "mandatória" em qualquer intensidade. Tamponamento cardíaco não tem relação com ruptura do septo ventricular e sangue nos átrios. E sepse grave costuma cursar com hipoperfusão, hipotensão e, muitas vezes, oligúria, não com poliúria e hipertensão. Ou seja: quando o tema é choque, pense primeiro em perfusão e resposta compensatória. Se há perda de volume por sangramento, o corpo tenta reagir com taquicardia, mas a pressão tende a cair quando a compensação falha. É o clássico retrato do choque hemorrágico.