Em relação às causas de acidente vascular encefálico (AVE) infantil, que, apesar de raro, está entre as dez principais causas de mortalidade na infância, assinale a opção correta.
- A)A trombose venosa cerebral é uma causa muito rara de AVE na infância e no período neonatal, sendo seu quadro clínico muito característico, com crises epilépticas, ataxia e paralisia de nervo craniano.
Errada: a trombose venosa cerebral não é muito rara na infância e no período neonatal, e o quadro não é tão característico assim, podendo incluir irritabilidade, convulsões, rebaixamento do nível de consciência e hipertensão intracraniana.
- B)Cerca de metade dos casos de AVE hemorrágico em crianças tem como causa as cardiopatias congênitas.
Errada: cardiopatias congênitas são causa importante de AVE isquêmico por embolia, não de AVE hemorrágico em cerca de metade dos casos.
- C)Doença falciforme é um importante fator de risco precoce para AVE isquêmico que, em menor grau e em uma fase mais avançada, pode cursar com o AVE hemorrágico.
Certa: a doença falciforme é causa clássica de AVE isquêmico na infância e também pode se associar a AVE hemorrágico em fases mais avançadas.
- D)A doença de Moyamoya é uma patologia cerebrovascular crônica e progressiva, com características oclusivas particularmente no território das artérias carótidas, e por isso é uma causa relevante de AVE hemorrágico.
Errada: a doença de Moyamoya é uma vasculopatia oclusiva crônica, ligada sobretudo a AVE isquêmico, embora possa causar hemorragia em alguns casos, não sendo principalmente causa de AVE hemorrágico.
- E)Os defeitos da coagulação sanguínea podem predispor a AVE na infância, razão por que a hemofilia é uma causa importante de AVE isquêmico na infância.
Errada: defeitos de coagulação podem predispor a eventos trombóticos, mas a hemofilia é tipicamente causa de sangramento e não de AVE isquêmico importante na infância.
Gabarito: C
O acidente vascular encefálico (AVE) infantil é raro, mas merece atenção porque pode deixar sequelas importantes e até ameaçar a vida. Na infância, as causas mudam bastante em relação ao adulto: entram forte as cardiopatias, as arteriopatias, as trombofilias, a doença falciforme e algumas infecções. No recém-nascido e na criança, o raciocínio é sempre mais amplo: nem todo AVE vem de placa de aterosclerose, que aqui quase não faz jogo de cena. A doença falciforme é uma das causas mais importantes de AVE isquêmico na infância, especialmente em crianças maiores. O mecanismo é a lesão endotelial e a oclusão vascular por hemácias falcizadas, o que favorece isquemia cerebral. Além disso, esses pacientes também podem ter hemorragia, principalmente em fases mais tardias da doença, por vasculopatia, aneurismas e alterações vasculares secundárias. Por isso, a alternativa C está correta: ela resume bem que a doença falciforme é fator de risco precoce para AVE isquêmico e também pode, em menor grau e mais tardiamente, se associar a AVE hemorrágico. Esse é um ponto clássico de prova em Neurologia pediátrica, porque a banca gosta de misturar o tipo de AVE com a idade e a etiologia para ver se você tropeça no detalhe. Na prática, a ideia central é: em criança, pense em causas hematológicas, cardíacas e vasculares, e não apenas nos fatores de risco do adulto. Se você lembrar que doença falciforme é campeã entre as causas pediátricas de AVE isquêmico, já sai na frente.