A respeito da cetoacidose diabética (CAD) em crianças, assinale a opção correta.
- A)A hipopotassemia é considerada o distúrbio metabólico mais grave que pode correr relacionado ao tratamento da CAD.
Certa: a insulina e a correção da acidose deslocam o potássio para o intracelular, podendo precipitar hipopotassemia grave e arritmias.
- B)Nos casos mais graves de CAD na população pediátrica, pode haver elevação da amilase sérica, o que indica a ocorrência de pancreatite concomitante.
Errada: amilase elevada pode ocorrer na CAD sem significar pancreatite, então esse achado isolado não fecha o diagnóstico.
- C)Laboratorialmente, a CAD caracteriza-se por: hiperglicemia (glicemia superior a 200 mg/dL), alcalose metabólica (pH >7,3 e/ou bicarbonato superior a 15 mEq/L), com elevação do ânion gap e presença de cetonemia e cetonúria.
Errada: a CAD cursa com acidose metabólica, não alcalose, e o pH e o bicarbonato estão reduzidos.
- D)O desenvolvimento de edema cerebral, como complicação da CAD, tem boa resposta terapêutica ao uso de furosemida e dexametasona.
Errada: edema cerebral na CAD não tem boa resposta a furosemida e dexametasona como tratamento de rotina.
- E)No tratamento da CAD pediátrica, a hiper-hidratação é um dos pilares implicados na proteção contra o edema cerebral.
Errada: hiper-hidratação aumenta o risco de edema cerebral, por isso a reposição hídrica deve ser cautelosa.
Gabarito: A
A cetoacidose diabética (CAD) é uma emergência pediátrica clássica: há hiperglicemia, cetose e acidose metabólica, geralmente com desidratação e respiração profunda para compensar a acidose. Em criança, o grande medo do tratamento não é só “baixar a glicose”, mas corrigir com cuidado o déficit hídrico e metabólico sem precipitar complicações neurológicas. Na prática, a CAD é marcada por glicemia elevada, pH baixo e bicarbonato reduzido, com aumento do ânion gap e presença de cetonas no sangue e na urina. Ou seja, nada de alcalose metabólica: aqui o corpo está literalmente acidificado pelo acúmulo de corpos cetônicos. O manejo costuma envolver hidratação venosa, insulina contínua e reposição de potássio conforme a evolução laboratorial. O ponto mais temido na pediatria é o edema cerebral, uma complicação rara, mas grave. Por isso, a reposição de fluidos deve ser criteriosa, evitando excesso de volume e correções bruscas. A literatura pediátrica enfatiza que o edema cerebral não responde bem a furosemida ou dexametasona como tratamento de rotina; quando suspeitado, a conduta é rápida e específica, com medidas como manitol ou solução salina hipertônica, além de suporte intensivo. Agora o pulo do gato: durante o tratamento da CAD, a hipopotassemia é um dos distúrbios mais perigosos. A insulina faz o potássio entrar na célula, e se o paciente já chega com depleção total de potássio, pode haver arritmias graves e até parada cardíaca. Por isso, a alternativa A está correta: entre os problemas metabólicos relacionados ao tratamento, a hipopotassemia é uma das complicações mais graves e temidas.