Paciente do sexo masculino, com 19 anos de idade, estudante, saudável e hígido, sem hábito de atividades esportivas de alto impacto, foi diagnosticado com trombocitopenia/púrpura imune primária (PTI) há 5 meses, quando apresentou epistaxe, petéquias, hematomas e contagem de plaquetas de 5 × 109 /L (normal entre 140 a 450 × 109 /L), sorologias negativas e marcadores reumatológicos negativos. Ele recebeu um ciclo curto de corticosteroides orais (dexametasona 40 mg por 4 dias), a epistaxe cessou, tendo a contagem de plaquetas permanecido entre 30 – 40 × 109 /L. Desde a interrupção dos corticosteroides, há 2 meses, ele permanece sem sangramentos espontâneos e não há programação de procedimentos invasivos. Procurou atendimento hematológico para acompanhamento do caso, sendo a contagem de plaquetas atuais de 43 × 109 /L. O paciente afirmou que a PTI não está interferindo em suas atividades diárias. Considerando o caso clínico descrito anteriormente, assinale a opção em que é apresentada a melhor abordagem terapêutica.
- A)observação e orientações para evitar uso de medicamentos que interferem na agregação plaquetária
Correta, porque o paciente está estável, sem sangramento e sem necessidade imediata de elevar as plaquetas com novo tratamento.
- B)início de receptores agonistas da trombopoetina
Errada, porque agonistas da trombopoetina são opções de segunda linha, reservadas para casos com necessidade de tratamento adicional ou refratariedade clínica.
- C)esplenectomia de urgência
Errada, porque esplenectomia não é conduta de urgência nesse cenário e é considerada apenas em situações selecionadas e refratárias.
- D)avaliação da celularidade medular por biópsia de medula óssea
Errada, porque a PTI já foi diagnosticada com investigação compatível e não há indicação de biópsia de medula óssea apenas por plaquetas baixas em um jovem típico.
- E)terapia de segunda linha com anti-CD20 (rituximabe) dado o risco de sangramentos maiores
Errada, porque rituximabe não é indicado apenas pelo receio teórico de sangramento maior quando o paciente está assintomático e sem critérios de intervenção.
Gabarito: A
Além disso, orientações práticas são importantes: evitar medicamentos que atrapalham a função plaquetária, como AINEs e ácido acetilsalicílico, e procurar assistência se surgirem sangramentos, quedas ou necessidade de cirurgia/procedimento. Terapias de segunda linha, como agonistas do receptor de trombopoetina, rituximabe ou esplenectomia, ficam para casos com sangramento persistente, necessidade de tratamento contínuo ou falha da primeira linha. Aqui, o melhor remédio é o mais chato possível: acompanhamento.