No que se refere a hepatites virais, insuficiência hepática e síndromes disabsortivas, assinale a opção correta.
- A)Em pacientes que já se recuperaram da hepatite B em passado remoto, assim como em portadores de infecção crônica pelo HBV, o anti-HBc é predominantemente da classe IgM no soro.
Errada: o anti-HBc em geral é da classe IgG na infecção passada ou crônica, enquanto o IgM sugere infecção aguda ou recente.
- B)A hepatite D (delta) é a causa de quase metade das hepatopatias crônicas e constitui a indicação mais frequente para transplante de fígado.
Errada: a hepatite D não responde por quase metade das hepatopatias crônicas nem é a causa mais frequente de transplante hepático.
- C)O início dos sintomas da doença celíaca ocorre invariavelmente durante a infância, quase sempre já no primeiro ano de vida do paciente.
Errada: a doença celíaca pode surgir em qualquer idade, inclusive na vida adulta, e não apenas na infância nem obrigatoriamente no primeiro ano.
- D)Em pacientes com insuficiência hepática por hepatite C crônica, tratamento antiviral produz efeitos benéficos, pois é eficaz para suprimir o vírus, conforme evidenciado pelas reduções dos níveis de aminotransferase e de DNA do HCV.
Errada: na hepatite C o vírus é RNA, não DNA, e a proposta de antiviral na insuficiência hepática crônica exige correção conceitual do enunciado.
- E)Tem sido constatada, com frequência cada vez maior, a progressão de esteatose hepática não alcoólica para insuficiência hepática ou cirrose.
Certa: a esteatose hepática não alcoólica, especialmente na forma inflamatória, pode evoluir para fibrose, cirrose e insuficiência hepática com frequência crescente.
Gabarito: E
Na hepatologia, a prova gosta de misturar vírus, autoimunidade e doença metabólica para ver se você tropeça no detalhe. Aqui, o ponto central é a esteatose hepática não alcoólica, que pode começar como acúmulo de gordura no fígado, evoluir para esteato-hepatite, fibrose e, em parte dos pacientes, chegar a cirrose e insuficiência hepática. Isso tem sido visto com frequência crescente porque a obesidade, a resistência à insulina e a síndrome metabólica aumentaram muito na população. A antiga ideia de que a doença era sempre 'benigna' caiu por terra. Hoje se sabe que a NASH, forma inflamatória da esteatose hepática não alcoólica, é a principal via de progressão para doença hepática avançada em muitos pacientes sem consumo alcoólico relevante. Em casos mais graves, o quadro pode terminar em cirrose descompensada, carcinoma hepatocelular e necessidade de transplante. Por isso, a alternativa E está correta: ela traduz exatamente essa tendência clínica atual, de progressão da esteatose hepática não alcoólica para insuficiência hepática ou cirrose. Em termos práticos, a banca quis cobrar a evolução da doença metabólica do fígado, que deixou de ser uma curiosidade e virou protagonista nos ambulatórios. Já as demais alternativas tentam confundir com conceitos clássicos de sorologia viral e doença celíaca, mas trazem afirmações incompatíveis com a fisiopatologia e com o curso usual dessas doenças.