A respeito de doenças renais, assinale a opção correta.
- A)A síndrome nefrótica caracteriza-se pela presença de proteinúria de 1 a 2 g/24 horas, hipertensão, hipercolesterolemia, hipoalbuminemia, edema ou anasarca e hematúria macroscópica.
Errada, porque a síndrome nefrótica tem proteinúria importante, geralmente acima de 3,5 g/24 h, e a hematúria macroscópica não é a característica típica.
- B)As causas mais relacionadas à azotemia pré-renal são redução do débito cardíaco, hipovolemia e fármacos que interferem com as respostas autorreguladoras renais, incluindo-se anti-inflamatórios não esteroides e inibidores da angiotensina II.
Certa, porque a azotemia pré-renal decorre de hipovolemia, redução do débito cardíaco e fármacos como AINEs e bloqueadores do sistema renina-angiotensina.
- C)Para o estadiamento da insuficiência renal crônica, é necessário estimar-se, com mais precisão, a concentração sérica de creatinina e a albuminúria, em vez de se observar a taxa de filtração glomerular.
Errada, porque o estadiamento da doença renal crônica é feito principalmente pela taxa de filtração glomerular estimada e pela albuminúria, não pela creatinina sérica isolada.
- D)A síndrome nefrítica aguda ocasiona mais de 3 g/24 horas de proteinúria, hematúria com cilindros hemáticos, piúria, hipertensão, retenção de líquidos e elevação da creatinina sérica, associada a um aumento paradoxal da filtração glomerular.
Errada, porque a síndrome nefrítica aguda cursa com hematúria, cilindros hemáticos, hipertensão e proteinúria geralmente não nefrótica, além de redução, e não aumento, da filtração glomerular.
- E)A incidência de glomerulonefrite pós-estreptocócica tem aumentado drasticamente nos países desenvolvidos, ano a ano, devido à resistência bacteriana cada vez mais acentuada às infecções.
Errada, porque a glomerulonefrite pós-estreptocócica não apresenta aumento drástico e contínuo por resistência bacteriana, e sim um quadro relacionado a infecção estreptocócica e resposta imune.
Gabarito: B
Quando a prova fala em doença renal, ela costuma misturar os conceitos de síndrome nefrótica, síndrome nefrítica, azotemia pré-renal e critérios de doença renal crônica. O segredo é não cair na confusão clássica: cada síndrome tem um padrão de proteinúria, hematúria, edema e alteração da função renal. Aqui, o ponto central é a azotemia pré-renal, que acontece quando chega pouco sangue ao rim ou quando o rim não consegue se autorregular bem. A azotemia pré-renal é causada, principalmente, por hipovolemia, redução do débito cardíaco e uso de medicamentos que atrapalham a autorregulação glomerular. Entre esses fármacos, entram os anti-inflamatórios não esteroides, que reduzem prostaglandinas, e os inibidores do sistema renina-angiotensina, como os inibidores da angiotensina II, que interferem no mecanismo de manutenção da filtração. Ou seja: o rim até tenta compensar, mas o fluxo e a pressão de filtração despencam. Por isso, a alternativa B está correta. Ela reúne exatamente as causas mais cobradas de azotemia pré-renal: baixo volume circulante, baixo débito cardíaco e drogas que sabotam a autorregulação renal. Esse é um raciocínio doutrinário clássico em nefrologia clínica, muito explorado em prova por causa dos efeitos hemodinâmicos renais. As demais alternativas erram nos conceitos básicos. Síndrome nefrótica não é proteinúria discreta nem hematúria macroscópica típica, e síndrome nefrítica não costuma cursar com proteinúria maciça nem aumento da filtração glomerular. Já o estadiamento da doença renal crônica depende de taxa de filtração glomerular estimada e albuminúria, não de creatinina isolada.