A presença de RVU na infância constitui uma preocupação, pois sua persistência pode acarretar lesão renal crônica. A respeito desse tema, assinale a opção correta, considerando que a sigla IRSC, sempre que empregada, se refere ao International Reflux Study Committee.
- A)A indicação operatória formal está reservada para os casos de RVU de graus IV e V, em que não se verifica remissão espontânea.
Certa: o RVU de graus IV e V tem menor chance de regressão espontânea e é o grupo em que a indicação cirúrgica formal é classicamente considerada.
- B)Os casos de RVU de grau I ou II apresentam uma resolução espontânea em cerca de 30% dos doentes.
Errada: os graus I e II costumam ter resolução espontânea bem maior do que 30%, portanto a afirmação subestima essa taxa.
- C)De acordo com o IRSC, o RVU classifica-se em sete graus, de I a VII, com envolvimento crescente.
Errada: a classificação do IRSC vai de I a V, e não de I a VII.
- D)De acordo com o IRSC, no RVU de grau VI verifica-se dilatação franca do ureter, do bacinete e de cálices.
Errada: no grau VI nem existe nessa classificação; no grau V é que há dilatação importante do ureter e do sistema coletor.
- E)De acordo com o IRSC, no RVU de grau II, há dilatação do ureter e a urina atinge o bacinete e cálices, lesionando-os.
Errada: o grau II não cursa com dilatação ureteral, nem lesão de bacinete e cálices; há refluxo até esses segmentos sem dilatação significativa.
Gabarito: A
O refluxo vesicoureteral (RVU) é a volta da urina da bexiga para o ureter e, em casos mais importantes, até o sistema coletor renal. O problema é simples de entender e chato de conviver: a urina voltando repetidamente favorece infecções urinárias, cicatrizes renais e, em longo prazo, lesão renal crônica. Pelo esquema do International Reflux Study Committee (IRSC), o RVU é classificado em graus I a V, e não em sete graus. Em linhas gerais, quanto maior o grau, maior a dilatação e a deformidade do ureter e do sistema pielocalicial. Os graus baixos tendem a resolver espontaneamente com mais frequência, enquanto os graus mais altos têm menor chance de regressão e maior risco de dano renal. É exatamente por isso que a alternativa A é a correta: a indicação operatória formal fica reservada, em regra, para os casos de RVU de graus IV e V, que têm baixa chance de remissão espontânea e maior risco de complicações. Na prática, a decisão também leva em conta infecção urinária recorrente, piora radiológica e comprometimento renal, mas a ideia central cobrada aqui é essa associação entre alto grau e tratamento cirúrgico. Então, guarde a lógica de prova: grau baixo costuma observar e acompanhar; grau alto costuma acender a luz amarela para intervenção. A banca gosta de trocar os graus, aumentar o número da classificação ou misturar dilatação com lesão calicial para ver quem cai na armadilha.