No que se refere a arritmias cardíacas, assinale a opção correta.
- A)A amiodarona permanece como a primeira opção no tratamento medicamentoso das extrassístoles ventriculares sintomáticas.
Errada, porque a amiodarona não é a primeira escolha para extrassístoles ventriculares sintomáticas; em geral, a conduta começa com avaliação de causa, controle de gatilhos e, quando necessário, betabloqueador ou outra estratégia individualizada.
- B)A fibrilação atrial é a arritmia cardíaca paroxística mais frequente e afeta predominantemente pessoas do sexo feminino.
Errada, porque a fibrilação atrial é a arritmia sustentada mais comum e sua ocorrência aumenta com a idade, sem predomínio feminino.
- C)O fármaco de primeira linha para a reversão da taquicardia paroxística supraventricular (TPSV) do tipo taquicardia por reentrada nodal (TRN) é a adenosina.
Certa, porque a adenosina é o fármaco de primeira linha para reverter TPSV do tipo reentrada nodal, especialmente quando manobras vagais falham.
- D)A ablação por radiofrequência das vias acessórias, por meio do estudo eletrofisiológico, é a abordagem consensualmente recomendada para o tratamento dos portadores de pré-excitação ventricular aparente no eletrocardiograma basal.
Errada, porque a presença de pré-excitação ventricular no ECG basal não impõe ablação consensual em todos os casos; a indicação depende de sintomas, risco arrítmico e estratificação eletrofisiológica.
- E)A fibrilação atrial é considerada permanente quando tem duração superior a 1 ano.
Errada, porque fibrilação atrial permanente é definida pela decisão clínica de não tentar mais restaurar o ritmo sinusal, e não por um corte temporal fixo de 1 ano.
Gabarito: C
As arritmias aparecem muito em prova porque a banca gosta de misturar o nome da arritmia com o tratamento de primeira escolha. Aqui, o ponto central é a taquicardia paroxística supraventricular do tipo reentrada nodal, também chamada de TRN ou AVNRT. Nessa situação, o fármaco de primeira linha para reversão, quando a manobra vagal não resolve, é a adenosina, por sua ação muito rápida no nó AV, interrompendo o circuito de reentrada. A lógica é simples: se a arritmia depende do nó AV para se manter, bloquear temporariamente esse nó costuma “desarmar” o mecanismo. Por isso a adenosina é a queridinha do pronto atendimento para TPSV regular de QRS estreito. Isso é bem cobrado em cardiologia prática e em emergências, com respaldo nas diretrizes de taquicardia supraventricular da AHA e da ESC. As demais alternativas trazem afirmações com pegadinhas clássicas. Fibrilação atrial não é a arritmia paroxística mais frequente e não predomina em mulheres; extrassístoles ventriculares sintomáticas não têm amiodarona como primeira opção rotineira; e pré-excitação ventricular no ECG não significa, por si só, ablação obrigatória para todo mundo. Já a fibrilação atrial permanente não é definida por duração maior que 1 ano, e sim quando se decide não tentar mais restaurar ou manter ritmo sinusal. Então, guarde a ideia principal: em TPSV por reentrada nodal, pense primeiro em adenosina. É uma daquelas respostas que a banca adora vestir de urgência cardíaca para ver se você entra no ritmo certo ou tropeça no compasso.