Quanto à abordagem da criança politraumatizada, assinale a opção correta.
- A)No atendimento pré-hospitalar inicial da criança politraumatizada, o tempo despendido no local de ocorrência do politrauma deve ser dedicado ao estabelecimento de um bom acesso venoso para hidratação rápida, evitando-se perda de tempo demasiada para a manutenção da permeabilidade das vias aéreas, melhor conseguida no ambiente hospitalar.
Errada, porque no atendimento pré-hospitalar a prioridade é via aérea e ventilação, e não gastar tempo demais com acesso venoso antes de garantir oxigenação e permeabilidade aérea.
- B)A presença de pneumoperitônio em criança politraumatizada é sugestiva de ruptura de víscera oca e o tratamento deve ser cirúrgico.
Certa, porque pneumoperitônio em criança politraumatizada sugere perfuração de víscera oca, geralmente exigindo tratamento cirúrgico.
- C)Em crianças menores politraumatizadas, como lactentes, a monitoração da temperatura é mandatória, visto que a hipertermia aumenta o consumo de oxigênio e causa vasoconstrição periférica, aumentando a resistência vascular sistêmica, além de comprometer a função do sistema nervoso central.
Errada, porque a preocupação mandatória no politrauma pediátrico é com hipotermia, e não com hipertermia como descrito na alternativa.
- D)No caso de pneumotórax aberto em criança politraumatizada, a descompressão rápida com a inserção de agulha calibrosa e posterior drenagem pleural fechada, é essencial.
Errada, porque pneumotórax aberto é tratado inicialmente com curativo oclusivo e drenagem torácica, não com descompressão por agulha como medida essencial.
- E)No politrauma de criança ocasionando rotura de bexiga extraperitoneal, a melhor conduta é a cirurgia imediata.
Errada, porque a rotura extraperitoneal de bexiga costuma ter manejo conservador com drenagem vesical, reservando cirurgia para situações selecionadas.
Gabarito: B
Na criança politraumatizada, a abordagem inicial segue a lógica do PALS/ATLS: primeiro salvar o que mata mais rápido, como via aérea, ventilação e circulação, e não sair correndo atrás do soro antes de garantir que a criança esteja respirando e oxigenando bem. Em pediatria, isso é ainda mais importante porque a reserva fisiológica é menor e a descompensação vem rápido, quase sem avisar. Por isso, a avaliação do abdome no trauma precisa ser muito cuidadosa. Quando aparece pneumoperitônio, a suspeita forte é de perfuração de víscera oca, como intestino, o que costuma indicar necessidade de tratamento cirúrgico. Em trauma abdominal, a imagem de ar livre na cavidade peritoneal é um achado clássico de lesão perfurativa e não é algo para "observar em casa" com calma demais. As demais alternativas misturam conceitos verdadeiros com condutas erradas. Criança traumatizada deve ter vias aéreas e ventilação priorizadas desde o atendimento pré-hospitalar, hipotermia deve ser evitada, e pneumotórax aberto não se resolve com agulha calibrosa, mas com curativo oclusivo e drenagem torácica conforme o caso. Já ruptura extraperitoneal de bexiga, em geral, é tratada de forma conservadora, com drenagem urinária, e não com cirurgia imediata. Resumo de prova: em trauma pediátrico, pense em ABCDE sem inverter a ordem. E, se o enunciado falar em pneumoperitônio, acenda o alerta de víscera oca perfurada, porque isso costuma levar a abordagem cirúrgica.