Um paciente com cinquenta e cinco anos de idade deu entrada no pronto-socorro, referindo lesão peniana durante ato sexual. De acordo com o quadro clínico, o paciente apresentava estalido com dor aguda, seguido de detumescência. No exame físico, registrou-se a presença de hematoma na base peniana e desvio do pênis para a esquerda. Nesse caso clínico hipotético,
- A)o tratamento de escolha deve ser a exploração cirúrgica precoce.
Certa: a fratura de pênis é uma urgência urológica e a exploração cirúrgica precoce oferece melhores resultados funcionais e menos complicações.
- B)a abordagem cirúrgica tardia, após redução do hematoma e do edema com anti-inflamatórios, apresentará melhores resultados funcionais e menor taxa de complicações.
Errada: esperar reduzir hematoma e edema para operar piora o prognóstico e aumenta risco de deformidade e disfunção erétil.
- C)se houver uretrorragia e(ou) retenção urinária, deve-se fazer a sondagem vesical de demora associada ao uso de enfaixamento compressivo.
Errada: sondagem vesical e enfaixamento compressivo não são a conduta de escolha na fratura peniana e podem agravar lesão uretral se houver suspeita.
- D)uretrografia retrógrada é contra-indicada na suspeita de lesão de uretra, devido ao risco de contaminação do hematoma e dos tecidos cavernosos eventualmente lesados.
Errada: a uretrografia retrógrada não é contraindicada; ela pode ser indicada quando há sinais de lesão uretral para definir a extensão do trauma.
- E)a identificação de transecção completa da uretra deverá ser tratada com cistostomia e reconstrução em segundo tempo.
Errada: na transecção uretral completa, a conduta inicial pode exigir derivação urinária e reparo, mas a afirmação generaliza uma abordagem que não é a regra para este caso de fratura peniana.
Gabarito: A
O quadro descrito é clássico de fratura de pênis: durante o ato sexual, o paciente sente um "estalo", dor aguda, perde a ereção na hora e depois aparece hematoma e deformidade peniana. Isso acontece por ruptura da túnica albugínea dos corpos cavernosos, geralmente por trauma em pênis ereto. Quando a história clínica é tão típica assim, o diagnóstico costuma ser essencialmente clínico, sem depender de muita firula diagnóstica. Nessa situação, o tratamento preferido é a exploração cirúrgica precoce, porque a correção imediata reduz complicações como curvatura peniana, disfunção erétil, dor e fibrose. A lógica é simples: rompeu a capa de contenção do corpo cavernoso, então o sangue extravasa e forma o hematoma. Se você resolve cedo, limpa a área, identifica a lesão e sutura adequadamente, o resultado funcional costuma ser melhor. A banca gosta de testar a diferença entre tratar cedo e tentar "esperar desinchar". Em fratura peniana, a conduta conservadora e a cirurgia tardia tendem a piorar o prognóstico. Anti-inflamatório e compressão não substituem a correção da ruptura. Em urologia de prova, quando há história típica, o relógio corre contra o paciente, não a favor. Se houver suspeita de lesão uretral, aí sim você pensa em investigar a uretra, porque uretrorragia, hematúria ou retenção podem coexistir. Mas isso não muda o fato de que a fratura peniana com quadro clássico é caso de cirurgia precoce. Doutrinariamente, essa é a conduta padrão em urologia; e, na prática, é uma das emergências urológicas com melhor desfecho quando tratada rapidamente.