Paciente de 30 anos de idade apresenta-se no pronto-socorro com quadro de dor torácica aguda. Tendo em vista esse quadro clínico e os critérios diagnósticos de pericardite aguda isolada, assinale a opção correta.
- A)A dor torácica de caráter pleurítico referida apenas pela anamnese, sem alterações de exames, não pode ser considerada critério diagnóstico de pericardite.
Errada, porque a dor torácica pleurítica típica, mesmo descrita apenas na anamnese, já pode ser critério diagnóstico de pericardite aguda.
- B)A presença de atrito pericárdico no exame físico é indicativo de miocardite aguda, mas não de pericardite.
Errada, porque o atrito pericárdico é um achado clássico de pericardite, não de miocardite.
- C)A elevação de marcadores de necrose miocárdica sanguíneos, como a troponina, em exames laboratoriais não significa acometimento pericárdico, assim não pode ser considerada critério diagnóstico de pericardite.
Errada, porque a troponina elevada sugere acometimento miocárdico, então não exclui pericardite e pode indicar miopericardite; por isso a afirmação está incorreta.
- D)A presença de infra do segmento PR e de supra do segmento ST difuso com a concavidade para cima no eletrocardiograma é padrão indicativo de isquemia miocárdica, mas não de pericardite aguda.
Errada, porque infra de PR e supra de ST difuso com concavidade para cima são achados típicos de pericardite aguda, não de isquemia miocárdica.
- E)O surgimento de derrame pericárdico novo no ecocardiograma não é típico de pericardite e sinaliza a possibilidade de outra doença cardiovascular associada.
Errada, porque novo derrame pericárdico no ecocardiograma é um dos critérios diagnósticos de pericardite aguda.
Gabarito: C
A pericardite aguda isolada costuma ser um diagnóstico clínico, e a diretriz clássica pede pelo menos 2 de 4 achados: dor torácica típica, atrito pericárdico, alterações eletrocardiográficas compatíveis e novo ou piora de derrame pericárdico. A dor geralmente é pleurítica, piora ao inspirar ou deitar e melhora ao sentar e inclinar o tronco para frente. Ou seja, só a anamnese já pode contar, sim, porque o raciocínio clínico entra na conta, não é preciso esperar o exame “piscar em neon”. O gabarito é a letra C porque a elevação de troponina ou outros marcadores de necrose miocárdica não é critério de pericardite isolada. Esses exames sugerem acometimento do miocárdio, o que aponta para miopericardite ou perimiocardite, e não para pericardite pura. Então a banca quer que você perceba que troponina alta muda o jogo para músculo cardíaco, não para o saco pericárdico. No eletrocardiograma, o padrão típico da pericardite é supra de ST difuso, geralmente côncavo para cima, e infra de PR. Já o atrito pericárdico é um achado bem característico e praticamente grita pericardite quando presente. O derrame pericárdico novo no ecocardiograma também entra como critério diagnóstico, especialmente quando surge junto do quadro clínico. Em prova, lembre da lógica: dor típica, atrito, ECG típico e derrame novo. Se aparecer troponina alta, pense em envolvimento miocárdico associado, mas não descarte a pericardite apenas por isso.