Acerca da cardiopatia congênita em mulheres gestantes, assinale a opção correta.
- A)A presença de cardiopatia congênita em gestante não requer seguimento especializado cardiológico durante a gestação, na medida em que a paciente tolera a cardiopatia desde o seu nascimento.
Errada, porque a cardiopatia congênita na gestação exige seguimento cardiológico especializado, já que a gravidez pode descompensar lesões previamente compensadas.
- B)Caso uma paciente com cardiopatia congênita receba indicação médica de intervenção cirúrgica ou percutânea avaliada na fase de aconselhamento pré-concepcional, a gestação poderá ser estimulada, e o procedimento deverá ser postergado para depois da gestação apenas.
Errada, pois quando há indicação de intervenção antes da gestação, a conduta adequada é tratar a paciente antes de engravidar, e não simplesmente postergar o procedimento.
- C)As cardiopatias congênitas são condições esporádicas e raras em gestantes, assim fetos e bebês de mães com cardiopatia congênita não precisam de nenhuma investigação ou cuidado fora da rotina.
Errada, porque gestantes com cardiopatia congênita podem ter fetos e recém-nascidos com maior risco, exigindo avaliação e acompanhamento além da rotina habitual.
- D)A presença da cardiopatia congênita e de prolapso de valva mitral com insuficiência mitral leve é considerada condição de alto risco de morbimortalidade materna, sendo contraindicação à gestação.
Errada, porque prolapso mitral com insuficiência mitral leve não caracteriza, por si só, contraindicação absoluta à gestação nem alto risco de morbimortalidade materna.
- E)A presença de cardiopatia congênita não tratada, síndrome de Eisenmenger e hipertensão pulmonar, em conjunto, é considerada condição de alto risco de morbimortalidade materna, sendo contraindicação à gestação.
Certa, porque cardiopatia congênita não tratada associada à síndrome de Eisenmenger e hipertensão pulmonar representa risco materno muito elevado e pode contraindicar a gestação.
Gabarito: E
Em gestantes com cardiopatia congênita, a regra é simples: gravidez não é sinônimo de “vida normal sem acompanhamento”. Mesmo quando a mulher nasceu com a cardiopatia e acha que já conhece o próprio corpo, a gestação impõe aumento de volume sanguíneo, débito cardíaco e consumo de oxigênio, o que pode descompensar lesões antes estáveis. Por isso, o seguimento especializado durante a gravidez costuma ser indispensável, especialmente em cardiopatias complexas. Na avaliação pré-concepcional, o ponto central é separar os casos em que a gestação pode ser aceita com vigilância dos casos em que ela deve ser fortemente desencorajada ou mesmo contraindicada. Entre as situações de altíssimo risco estão a cardiopatia congênita não tratada associada à síndrome de Eisenmenger e à hipertensão pulmonar importante, porque a mortalidade materna e fetal é muito elevada. Nesses cenários, a literatura e as diretrizes de cardiologia e obstetrícia tratam a gestação como condição de risco extremo. É justamente por isso que a letra E está correta. A associação de cardiopatia congênita não tratada, síndrome de Eisenmenger e hipertensão pulmonar configura alto risco de morbimortalidade materna e costuma ser considerada contraindicação à gestação. A ideia aqui é proteger a paciente de um quadro em que a circulação materna não tolera a sobrecarga hemodinâmica da gravidez. Vale lembrar, por contraste, que nem toda cardiopatia congênita impede gravidez, e nem toda alteração valvar leve entra na categoria de proibitiva. O raciocínio de prova costuma girar em torno de gravidade, repercussão hemodinâmica e risco de descompensação, não apenas do nome da doença.