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Medicina · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Medicina

Acerca da cardiopatia congênita em mulheres gestantes, assinale a opção correta.

Gabarito: E

Em gestantes com cardiopatia congênita, a regra é simples: gravidez não é sinônimo de “vida normal sem acompanhamento”. Mesmo quando a mulher nasceu com a cardiopatia e acha que já conhece o próprio corpo, a gestação impõe aumento de volume sanguíneo, débito cardíaco e consumo de oxigênio, o que pode descompensar lesões antes estáveis. Por isso, o seguimento especializado durante a gravidez costuma ser indispensável, especialmente em cardiopatias complexas. Na avaliação pré-concepcional, o ponto central é separar os casos em que a gestação pode ser aceita com vigilância dos casos em que ela deve ser fortemente desencorajada ou mesmo contraindicada. Entre as situações de altíssimo risco estão a cardiopatia congênita não tratada associada à síndrome de Eisenmenger e à hipertensão pulmonar importante, porque a mortalidade materna e fetal é muito elevada. Nesses cenários, a literatura e as diretrizes de cardiologia e obstetrícia tratam a gestação como condição de risco extremo. É justamente por isso que a letra E está correta. A associação de cardiopatia congênita não tratada, síndrome de Eisenmenger e hipertensão pulmonar configura alto risco de morbimortalidade materna e costuma ser considerada contraindicação à gestação. A ideia aqui é proteger a paciente de um quadro em que a circulação materna não tolera a sobrecarga hemodinâmica da gravidez. Vale lembrar, por contraste, que nem toda cardiopatia congênita impede gravidez, e nem toda alteração valvar leve entra na categoria de proibitiva. O raciocínio de prova costuma girar em torno de gravidade, repercussão hemodinâmica e risco de descompensação, não apenas do nome da doença.

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