A manifestação cutânea da doença se caracteriza por úlcera típica geralmente indolor que costuma localizar-se em áreas expostas da pele; tem formato arredondado ou ovalado; mede de alguns milímetros até alguns centímetros; tem base eritematosa, infiltrada e de consistência firme; apresenta bordas bem delimitadas e elevadas com fundo avermelhado e granulações grosseiras. A infecção bacteriana, quando associada, pode causar dor local e produzir exsudato seropurulento que, em determinadas circunstâncias, ao formar crostas, recobre total ou parcialmente o fundo da úlcera. Adicionalmente, a infecção secundária e o uso de produtos tópicos podem causar eczema na pele ao redor da úlcera, modificando seu aspecto (lesão ectimoide). A doença descrita no texto precedente corresponde à
- A)leishmaniose tegumentar americana.
Correta: a descrição é clássica da leishmaniose tegumentar americana, com úlcera indolor, bordas elevadas e fundo granuloso em áreas expostas.
- B)hanseníase dimorfa (ou borderline).
Errada: a hanseníase dimorfa costuma causar lesões com alteração de sensibilidade e placas/pápulas, não essa úlcera típica.
- C)hanseníase virchowiana (ou lepromatosa).
Errada: a hanseníase virchowiana é marcada por infiltração difusa, nodulações e lesões extensas, e não por úlcera com bordas elevadas.
- D)hanseníase tuberculoide.
Errada: a hanseníase tuberculoide geralmente produz placas bem delimitadas com anestesia, não uma úlcera granulosa típica.
- E)tuberculose cutânea.
Errada: a tuberculose cutânea pode ter formas variadas, mas não é a lesão clássica descrita no enunciado.
Gabarito: A
O quadro descrito é bem típico da leishmaniose tegumentar americana: uma úlcera geralmente indolor, de bordas elevadas e bem delimitadas, fundo avermelhado com granulações e localização frequente em áreas expostas da pele. É aquela lesão que o examinador gosta de pintar como "úlcera em vulcão", porque o centro fica deprimido e a borda fica infiltrada e alta. Na prática, a lesão pode variar de alguns milímetros a alguns centímetros e costuma surgir após picada de flebotomíneo infectado. Quando há infecção bacteriana secundária, a dor e o exsudato seropurulento podem aparecer, além de crostas e eczema ao redor, o que muda bastante o aspecto original da ferida. Isso explica por que algumas provas descrevem a lesão como ectimoide. O ponto-chave para acertar a questão é reconhecer a combinação: úlcera crônica, indolor, em área exposta, com bordas elevadas e fundo granuloso. Esse perfil é clássico de leishmaniose cutânea, e não de hanseníase, que costuma ter lesões mais relacionadas a alterações de sensibilidade, infiltração difusa ou placas, nem de tuberculose cutânea, que segue outros padrões morfológicos. Em termos doutrinários, a descrição bate com a forma cutânea da leishmaniose tegumentar americana, doença endêmica em várias regiões do Brasil e frequentemente cobrada em provas pela aparência da lesão. Em concurso, pense assim: se a banca fala em úlcera arredondada, borda alta e fundo granuloso, o radar deve acender para leishmaniose.