Uma jovem de 18 anos de idade, previamente hígida, retornou ao ambulatório com os resultados dos exames solicitados em consulta anterior. Ela referiu episódios diários de dispneia com tosse improdutiva nas primeiras horas do dia, havia um mês. Negou limitação das atividades físicas ou despertares noturnos com os referidos sintomas. Os resultados do exame físico e a radiografia de tórax estavam normais. A espirometria demonstrou VEF1/CVF de 0,74, VEF1 de 68% do predito (pré-broncodilatador) e VEF1 de 82% após o uso de broncodilatador. Nessa situação hipotética, de acordo com o Global Initiative for Asthma Treatment (GINA 2023), o tratamento de manutenção preferencial para a paciente é o uso de
- A)montelucaste, isoladamente.
Errada: montelucaste pode ser adjuvante em alguns casos, mas não é a terapia preferencial de manutenção na asma segundo a GINA 2023.
- B)fenoterol, isoladamente, nas crises.
Errada: fenoterol isolado trata apenas a broncoconstrição aguda e não controla a inflamação da asma.
- C)tiotrópio, isoladamente.
Errada: tiotrópio pode ser acrescentado em casos selecionados, mas não é monoterapia de manutenção para este cenário.
- D)fenoterol associado à prednisona na manutenção.
Errada: fenoterol com prednisona na manutenção não é esquema recomendado, pois prednisona sistêmica não deve ser usada rotineiramente como manutenção.
- E)formoterol associado à budesonida em baixa dose na manutenção e no resgate.
Certa: a combinação de corticosteroide inalatório com formoterol em baixa dose é a estratégia preferencial de manutenção e resgate na GINA 2023.
Gabarito: E
A paciente tem quadro compatível com asma: sintomas respiratórios variáveis, espirometria obstrutiva com reversibilidade ao broncodilatador e ausência de outra explicação melhor. Pela GINA 2023, o ponto central é evitar tratar asma apenas com broncodilatador isolado, porque isso alivia o sintoma na hora, mas não controla a inflamação de base. Em outras palavras: o problema não é só o tubo apertado, é também a parede inflamada do tubo. Como ela tem sintomas diários, mas sem sinais de gravidade importante e com reversibilidade após broncodilatador, a estratégia preferencial de manutenção é um esquema com corticosteroide inalatório associado a formoterol em baixa dose, usado tanto na manutenção quanto no resgate. O formoterol entra bem aqui porque tem início de ação rápido, permitindo a mesma combinação para controle e alívio dos sintomas. Isso está alinhado com a abordagem da GINA 2023, que prioriza o uso de ICS-formoterol como terapia preferencial para reduzir exacerbações e necessidade de medicação de resgate separada. Já a monoterapia com broncodilatador de curta ação ou com antileucotrieno não resolve o componente inflamatório e fica aquém do que a diretriz recomenda. Portanto, a melhor resposta é a combinação de formoterol com budesonida em baixa dose, tanto na manutenção quanto no resgate. É o tipo de conduta que não deixa a asma “viver de vento”, e sim com controle real.