Um paciente procurou pronto atendimento médico devido à picada de carrapato confirmada em exame clínico, com evidência de alguns desses parasitas na pele. Alguns dias após o referido atendimento, o paciente retornou com sintomas compatíveis com febre maculosa. Exames complementares confirmaram o diagnóstico. Com relação a esse caso clínico,
- A)como profilaxia da doença, a prescrição de antibiótico deveria ter sido feita no primeiro atendimento.
Errada: não se faz profilaxia antibiótica rotineira após picada de carrapato, e a conduta é observar e orientar sinais e sintomas.
- B)a pesquisa direta de riquétsia por meio de imuno-histoquímica é o exame prioritário (padrão ouro) para, nesse caso, determinar o diagnóstico.
Errada: a imunohistoquímica pode ajudar em alguns casos, mas não é o padrão ouro para definir diagnóstico de febre maculosa.
- C)mesmo com a suspeita clínica de febre maculosa, a terapêutica com antibióticos somente poderia ser iniciada após a confirmação laboratorial do caso.
Errada: diante de suspeita clínica, o antibiótico deve ser iniciado imediatamente, sem esperar confirmação laboratorial.
- D)cloranfenicol teria de ser o antibiótico de primeira escolha terapêutica e, na impossibilidade de sua utilização, doxiciclina seria a melhor alternativa.
Errada: a primeira escolha terapêutica é doxiciclina, e não cloranfenicol; a lógica dessa alternativa está invertida.
- E)o exantema, sintoma cutâneo da doença, vai se transformando em petequial e, depois, em hemorrágico, que, se não tratado, pode evoluir para necrose das extremidades.
Certa: o exantema pode evoluir de macular para petequial e hemorrágico, e casos graves sem tratamento podem cursar com necrose de extremidades.
Gabarito: E
A febre maculosa brasileira é uma doença infecciosa grave causada por riquétsias do grupo da febre maculosa, transmitidas por carrapatos. O ponto mais importante na prática é que a suspeita clínica manda mais do que o exame: se o quadro é compatível, o tratamento deve começar logo, porque esperar confirmação pode atrasar uma doença que evolui rápido e pode ser fatal. No caso clássico, o paciente começa com febre, cefaleia, mialgia e, depois, aparece o exantema. Esse rash costuma surgir primeiro em membros e tronco, podendo se tornar petequial e, nos casos graves, hemorrágico. Quando a doença progride sem tratamento, podem surgir lesões isquêmicas e até necrose de extremidades, especialmente por vasculite e comprometimento vascular. Por isso, a alternativa E está correta: ela descreve a evolução cutânea típica e a possibilidade de necrose se não houver tratamento. Já a confirmação laboratorial existe e ajuda, mas não deve atrasar a conduta. Em provas de infectologia, essa é uma regra de ouro: suspeitou de febre maculosa, tratou, depois você confirma com calma. Em termos práticos, a droga de escolha é a doxiciclina, inclusive em muitos cenários pediátricos quando há forte suspeita, porque o benefício supera o risco diante da gravidade da doença. Cloranfenicol ficou para o passado em boa parte das situações e não é primeira linha hoje.