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Medicina · CESPE/CEBRASPE · 2022

Questão comentada de Medicina

João, que vive em uma grande cidade, apresenta quadro de asma confirmado por espirometria e teste de broncoprovocação com metacolina. Apesar de manter boa adesão ao tratamento e ter minimizado quaisquer fatores associados à falta de controle da doença, precisa utilizar corticoide inalatório em alta dose, associado a antagonista muscarínico de longa duração, e, mesmo assim, ainda não conseguiu controlar o quadro. Com base no caso clínico descrito, assinale a opção correta.

Gabarito: E

Neste caso, o ponto central é que asma sem controle, mesmo com corticoide inalatório em alta dose e broncodilatadores de longa duração, obriga voce a procurar fatores perpetuadores. Em outros termos: antes de rotular tudo como “asma grave”, vale investigar o que está alimentando o quadro, como alergênicos, comorbidades e exposições ambientais. A asma de difícil controle é aquela em que a doença permanece sem controle apesar de tratamento adequado, boa adesão e técnica inalatória correta. Já a asma grave é um subgrupo em que o controle só é obtido com terapia de alta intensidade ou, em alguns casos, nem é possível obtê-lo. Por isso, dizer apenas que o paciente “não controla” não basta para chamar de asma grave sem essa análise mais ampla. A alternativa correta cobra exatamente essa lógica prática: em paciente asmático que vive em grande cidade, deve-se pesquisar exposição a alérgenos urbanos comuns, como gato, cachorro, barata, roedores e fungos, porque esses desencadeantes estão frequentemente associados à piora e à manutenção dos sintomas. Isso é muito coerente com a abordagem recomendada em diretrizes como a GINA, que orientam a identificar e reduzir exposições ambientais relevantes. Ou seja, o tratamento da asma não é só remédio na bombinha: às vezes o problema também está no ambiente. Se voce não procura os gatilhos, fica remando contra a maré.

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