Uma mulher de 50 anos foi submetida à histerectomia total por miomatose uterina e endometriose pélvica. Retorna para consulta de revisão queixando-se que 10 dias depois iniciou com uma incontinência urinária insensível e não consegue segurar a urina, trocando vários absorventes durante o dia e lençóis durante a noite. O médico para confirmar a hipótese diagnóstica deve solicitar:
- A)ultrassonografia de abdômen total.
Errada, porque a ultrassonografia de abdômen total não é o melhor exame para confirmar fístula ou lesão ureteral pós-histerectomia.
- B)EAS e urinocultura.
Errada, porque EAS e urinocultura podem detectar infecção, mas não confirmam a causa anatômica da perda urinária contínua.
- C)estudo urodinâmico.
Errada, porque o estudo urodinâmico avalia distúrbios funcionais da micção, não complicações ureterais pós-cirúrgicas.
- D)urotomografia.
Certa, porque a urotomografia identifica lesão do trato urinário e extravasamento de contraste, confirmando a suspeita de fístula/lesão ureteral.
Gabarito: D
Depois de uma histerectomia, queixa de perda urinária contínua, sem conseguir "segurar" a urina, especialmente quando começa poucos dias após a cirurgia, acende a luz vermelha para lesão do trato urinário. O quadro sugere fístula urinária, em especial ureterovaginal, uma complicação clássica de cirurgias ginecológicas pélvicas. O detalhe importante é que não se trata de uma incontinência de esforço ou urgência comum, mas de vazamento persistente, quase "sem aviso", o que pede investigação anatômica. Nessa situação, o exame que melhor confirma o diagnóstico é a urotomografia, porque permite avaliar o trajeto urinário, identificar extravasamento de contraste e mostrar lesão ureteral ou fístula. Em outras palavras: se o problema é um cano rompido, você quer ver o encanamento, não só o ralo. A tomografia com fase excretora costuma ser muito útil justamente para localizar a fuga da urina. Os exames de urina podem até ser feitos se houver suspeita infecciosa, mas eles não explicam perda urinária contínua após cirurgia. Já o estudo urodinâmico é mais usado para avaliar incontinência funcional, esforço ou bexiga hiperativa, e não para confirmar lesão pós-operatória do ureter. A ultrassonografia também é pouco sensível para esse cenário. Portanto, o raciocínio clínico aponta para complicação cirúrgica urológica e investigação por imagem do trato urinário.