Homem de 21 anos foi admitido na emergência com quadro de febre não aferida e dor abdominal com 4 dias de evolução. Ao exame clínico, foi identificada massa palpável de contornos mal definidos, muito dolorosa à palpação profunda, localizada em fossa ilíaca direita. Os sinais vitais mostraram PA = 130 x 80mmHg, FC = 92bpm, FR = 14irpm e TAx = 37,8ºC. A tomografia computadorizada de abdômen e pelve evidenciou ausência de pneumoperitôneo e uma coleção, com aproximadamente 6cm de diâmetro, em região pericecal, associada à densificação dos tecidos adjacentes. Considerando o diagnóstico mais provável, a conduta inicial adequada é a realização de:
- A)videocolonoscopia
Errada, porque videocolonoscopia não tem papel na abordagem inicial de abscesso pericecal e ainda pode aumentar o risco de piorar a inflamação local.
- B)drenagem percutânea
Certa, pois uma coleção pericecal de cerca de 6 cm em paciente estável é indicação de drenagem percutânea guiada por imagem, associada a antibióticos.
- C)ressonância magnética
Errada, porque ressonância magnética não é tratamento e não substitui a drenagem de uma coleção já diagnosticada na tomografia.
- D)laparotomia de emergência
Errada, porque laparotomia de emergência fica reservada para perfuração livre, peritonite difusa ou instabilidade, e isso não é o caso descrito.
Gabarito: B
O quadro descreve bem uma apendicite complicada por abscesso pericecal: dor em fossa ilíaca direita, febre, massa dolorosa e tomografia mostrando coleção de cerca de 6 cm, sem pneumoperitôneo. Quando a apendicite já “organizou” uma coleção localizada, a primeira ideia não é abrir o abdome às pressas nem sair fazendo colonoscopia, e sim controlar o foco infeccioso de forma dirigida. Nessa situação, a drenagem percutânea guiada por imagem é a conduta inicial mais adequada, especialmente quando a coleção tem tamanho significativo e é acessível. Ela reduz a carga infecciosa, melhora a dor e a inflamação local, e costuma ser associada a antibiótico de amplo espectro. Depois, conforme a evolução, pode-se planejar conduta definitiva, inclusive apendicectomia intervalar em alguns casos. A lógica aqui é simples: abscesso localizado pede drenagem; peritonite difusa, instabilidade hemodinâmica ou perfuração livre é que empurram para cirurgia de urgência. Como a tomografia não mostrou pneumoperitôneo e o paciente está hemodinamicamente estável, não há cara de laparotomia imediata. Em provas, essa é a clássica pegadinha da apendicite complicada: a banca tenta fazer você pular direto para a sala de cirurgia. Mas, com coleção pericecal bem delimitada, o primeiro passo costuma ser a drenagem percutânea, que é exatamente o que torna o gabarito B correto.