Uma criança com síndrome de Down é submetida à correção cirúrgica de doença de Hirschsprung. Não há descrição de nenhuma intercorrência técnica. Essa criança tem uma maior predisposição ao desenvolvimento da seguinte complicação tardia:
- A)constipação
Constipação pode persistir em alguns pacientes, mas não é a complicação tardia mais típica e temida após a correção cirúrgica.
- B)enterocolite
Correta, porque a enterocolite associada à doença de Hirschsprung é uma complicação tardia clássica e pode ocorrer mesmo após a cirurgia.
- C)estenose
Estenose pode ocorrer como complicação cirúrgica, mas não é a associação mais cobrada como risco tardio predominante nessa condição.
- D)diarreia
Diarreia isolada não é a complicação tardia característica; quando aparece, deve fazer pensar mais em enterocolite do que em um efeito esperado do pós-operatório.
Gabarito: B
A doença de Hirschsprung é uma aganglionose congênita do intestino, causando obstrução funcional e geralmente exigindo correção cirúrgica. Depois da cirurgia, a criança pode evoluir bem, mas existe uma complicação tardia que merece atenção especial: a enterocolite associada à doença de Hirschsprung, que pode ocorrer mesmo após o reparo cirúrgico e é uma das principais causas de morbidade nessa condição. Na prática, essa enterocolite aparece com distensão abdominal, febre, diarreia, vômitos e piora do estado geral. Em criança com síndrome de Down, o risco é ainda maior, porque a associação entre síndrome de Down e doença de Hirschsprung é clássica, e esses pacientes têm maior chance de complicações intestinais ao longo do seguimento. Por isso, o gabarito é a letra B. A cirurgia corrige o segmento agangliônico, mas não elimina totalmente o risco de inflamação intestinal grave depois do procedimento. Ou seja, o intestino pode “dar trabalho” mesmo depois de aparentemente resolvido o problema mecânico. As demais alternativas não representam a complicação tardia mais característica nesse cenário. Constipação pode acontecer em alguns contextos, estenose é complicação cirúrgica possível, e diarreia isolada não é o achado clássico cobrado como risco tardio principal. O ponto de prova é reconhecer a enterocolite pós-operatória como a complicação de maior relevância.