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Medicina · CEFET-MG · 2025

Questão comentada de Medicina

Paciente masculino, 28 anos, doutorando em engenharia, busca atendimento por procrastinação grave com risco de desligamento do programa de Pós-Graduação. Menciona passar 6-8 horas diárias, alternando entre sites de apostas esportivas, conteúdo pornográfico e compras online, especialmente durante madrugadas. Acumulou dívidas significativas, prejudicou relacionamento estável e não consegue avançar na tese há 8 meses. Tentativas de controle são seguidas por períodos de intensificação do comportamento. Apresenta humor preservado, ausência de sintomas psicóticos e adequada capacidade intelectual. Considerando a complexidade do quadro apresentado e a necessidade de intervenções em múltiplos níveis, a abordagem terapêutica inicial mais apropriada é

Gabarito: C

O quadro descreve um comportamento aditivo sem substância, com perda de controle, prejuízo funcional importante e repetição apesar das consequências negativas. Aqui o foco inicial não é "apagar incêndio" com remédio forte, e sim montar um plano de tratamento multimodal, porque esse tipo de problema costuma envolver gatilhos, rotina desorganizada, impulsividade e prejuízo financeiro e social. Na prática, a primeira linha costuma ser psicoterapia, especialmente terapia cognitivo-comportamental, associada a técnicas de controle de estímulos, organização da rotina, metas graduais e monitoramento dos comportamentos-alvo. Em casos com impacto financeiro, social ou familiar, entra também orientação financeira e manejo do ambiente digital, como bloqueio de acesso e redução de gatilhos. O raciocínio é bem "pé no chão": se o comportamento acontece de madrugada, com reforço imediato e ciclo de intensificação, você precisa atacar o hábito e o contexto, não só o sintoma isolado. O gabarito C está correto porque traduz exatamente essa abordagem inicial por múltiplos níveis: psicoterapia estruturada, manejo comportamental, controle de estímulos e suporte prático. Medicamentos podem até ser considerados de forma adjuvante, conforme comorbidades como ansiedade, depressão, TDAH ou compulsividade, mas não são a medida inicial universal. Em temas de dependência comportamental, a literatura e diretrizes clínicas favorecem intervenções psicossociais como base do tratamento. As alternativas com tom de "resolver com remédio" ou com medida jurídica isolada costumam ser armadilhas de prova. O paciente pode precisar de apoio financeiro e familiar, sim, mas isso entra como parte do plano, não substitui a intervenção terapêutica estruturada. E, apesar de o caso envolver jogo, pornografia e compras, o núcleo da conduta é o padrão compulsivo com prejuízo funcional, que pede manejo comportamental e acompanhamento longitudinal.

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