Para a avaliação da insuficiência renal crônica (IRC) pelas alterações bioquímicas, pode-se adotar uma classificação baseada na filtração glomerular e na dosagem da creatinina. Assim, a IRC poderá ser enquadrada como doença prevista na Lei nº 8.112, de 1990, quando apresentar
- A)filtração glomerular entre 15 e 29 ml/min e creatinina igual a 7.
Errada, porque TFG entre 15 e 29 ml/min indica doença renal crônica grave, mas a creatinina 7 mg/dl não é a combinação descrita para o enquadramento cobrado.
- B)filtração glomerular entre 60 e 89 ml/min e creatinina de 1,5 mg/dl.
Errada, porque TFG entre 60 e 89 ml/min sugere redução leve da função, mas a questão exige a associação correta com o critério de lesão renal e não apenas um valor isolado.
- C)filtração glomerular > 90 com creatinina de 1,0 mg/dl, com insuficiência renal leve.
Errada, porque TFG acima de 90 ml/min com creatinina de 1,0 mg/dl não define doença renal crônica por si só se não houver lesão renal associada.
- D)filtração glomerular > 90 ml/min com creatinina entre 0,6 e 1,4 mg/ dl e com presença de lesão renal.
Certa, porque TFG acima de 90 ml/min com creatinina em faixa normal e presença de lesão renal caracteriza doença renal crônica mesmo com filtração preservada.
- E)filtração glomerular > 90 ml/min, com creatinina entre 0,6 e 1,4 mg/ dl e com grupo de risco para doença renal crônica.
Errada, porque grupo de risco não equivale a doença renal crônica instalada; risco é vigilância, não enquadramento diagnóstico.
Gabarito: D
A insuficiência renal crônica, hoje mais bem chamada de doença renal crônica, não é definida só por creatinina alta. O raciocínio clínico olha dois blocos: a taxa de filtração glomerular (TFG) e a presença de lesão renal. Isso importa porque a pessoa pode até ter TFG normal ou quase normal, mas já ter doença instalada se houver dano estrutural ou funcional persistente. Na classificação clássica, quando a TFG está acima de 90 ml/min e a creatinina fica em faixa normal, a doença ainda pode estar presente se houver lesão renal. É exatamente essa lógica que a questão cobra: não basta o rim estar "filtrando bem" no número frio do exame; se existe lesão renal, já há enquadramento de doença renal crônica. Por isso o gabarito é a letra D. Ela descreve TFG > 90 ml/min, creatinina entre 0,6 e 1,4 mg/dl e presença de lesão renal, que corresponde ao estágio inicial da doença renal crônica. Em provas, a banca costuma usar essa ideia para testar se você sabe que TFG normal não exclui doença quando há dano renal documentado. Do ponto de vista legal, a Lei nº 8.112/1990 trata das doenças que podem repercutir em afastamentos e benefícios no serviço público, e a identificação da insuficiência renal crônica depende da caracterização clínica e laboratorial da doença. O ponto-chave aqui é que a lesão renal comprovada pesa mais do que a creatinina isolada, então o quadro pode ser enquadrado mesmo com função filtrativa aparentemente preservada.