Em relação ao manejo da AIDS na Atenção Primária à Saúde, considerando as diretrizes mais recentes do Ministério da Saúde, assinale a alternativa que descreve corretamente a abordagem recomendada para o início da terapia antirretroviral em pacientes recém- diagnosticados:
- A)Iniciar TARV após 2 semanas do diagnóstico para permitir aconselhamento adequado.
Errada, porque não se deve aguardar 2 semanas após o diagnóstico para iniciar TARV; o tratamento deve ser iniciado o quanto antes.
- B)Aguardar resultado de genotipagem antes de iniciar qualquer esquema antirretroviral.
Errada, porque o resultado da genotipagem não deve atrasar o início da terapia antirretroviral em paciente recém-diagnosticado.
- C)Iniciar TARV imediatamente após o diagnóstico, independente da contagem de CD4.
Certa, porque a recomendação atual é iniciar TARV imediatamente após o diagnóstico, sem depender da contagem de CD4.
- D)Prescrever profilaxia para infecções oportunistas antes de iniciar a terapia antirretroviral.
Errada, porque a profilaxia de infecções oportunistas pode ser necessária em situações específicas, mas não substitui nem deve atrasar o início da TARV.
- E)Realizar teste de resistência basal em todos os pacientes antes de iniciar o tratamento.
Errada, porque teste de resistência basal pode ser útil em alguns cenários, mas não é exigido em todos os pacientes para começar o tratamento.
Gabarito: C
Na AIDS, a lógica da Atenção Primária hoje é bem direta: diagnosticou HIV, não é para ficar esperando a situação “amadurecer”. As diretrizes mais recentes do Ministério da Saúde orientam o início precoce da terapia antirretroviral (TARV), idealmente o mais rápido possível após o diagnóstico, porque isso reduz carga viral, melhora prognóstico e diminui a transmissão. Em outras palavras, o tratamento não fica para depois do cafezinho e da papelada. Na prática, o início da TARV não depende da contagem de CD4 para acontecer. O raciocínio mudou justamente porque tratar cedo traz benefício clínico e epidemiológico, inclusive no contexto da APS, que deve acolher, orientar e encaminhar o cuidado sem atrasos desnecessários. A genotipagem pode ser solicitada em situações específicas, mas não deve travar o começo do esquema. Por isso, a alternativa correta é a C: iniciar TARV imediatamente após o diagnóstico, independentemente da contagem de CD4. Essa é a diretriz moderna do manejo do HIV/AIDS, alinhada ao princípio do tratamento universal e precoce. Se houver alguma condição clínica especial, a avaliação continua, mas o padrão é não postergar o início da terapia.