1. Sobre o diagnóstico da tuberculose (TB) pulmonar considere os itens, a seguir: I - A TB pulmonar primária, normalmente, ocorre em seguida ao primeiro contato do indivíduo com o bacilo e, por isso, é mais comum em crianças. As manifestações clínicas podem ser insidiosas, com o paciente apresentando-se irritadiço, com febre baixa, sudorese noturna e inapetência. Nem sempre a tosse está presente. O exame físico pode ser inexpressivo. II - A TB miliar refere-se a um aspecto radiológico pulmonar específico, que pode ocorrer tanto na forma primária quanto na forma secundária da TB. É uma forma grave da doença, que é mais comum em pacientes imunocomprometidos, como pessoas infectadas com HIV em fase avançada de imunossupressão. III – A TB pleural é a forma mais comum de TB extrapulmonar em pessoas infectadas pelo HIV. Ocorre mais em jovens e cursa com dor torácica do tipo pleurítica. A tríade astenia, emagrecimento e anorexia ocorre em 70% dos pacientes, e febre com tosse seca, em 60%. Está correto o que se afirma em:
- A)I, apenas.
Esta alternativa sustenta que apenas a afirmativa I está correta. De fato, a I descreve adequadamente a TB pulmonar primária, que costuma surgir após o primeiro contato com o bacilo, é mais frequente na infância e pode ter evolução insidiosa, com febre baixa, sudorese noturna, inapetência, tosse ausente e exame físico pouco expressivo. O problema é que a II também está correta, porque a TB miliar é um padrão de disseminação hematogênica com aspecto micronodular difuso, podendo ocorrer tanto na primoinfecção quanto na reativação, sobretudo em imunodeprimidos.
- B)I e II, apenas.
Esta é a combinação que melhor corresponde ao enunciado: a I está correta ao caracterizar a TB primária pulmonar como mais comum em crianças, de início muitas vezes arrastado e sem tosse obrigatória, com exame físico pouco sugestivo. A II também está correta, pois a TB miliar é um padrão radiológico de disseminação hematogênica que pode aparecer na forma primária ou secundária e é mais frequente em pacientes com imunossupressão avançada, como na infecção pelo HIV. A III, porém, erra ao afirmar que a TB pleural seria a forma extrapulmonar mais comum no HIV, porque esse destaque epidemiológico não é o aceito; o quadro clínico descrito é compatível com pleurite tuberculosa, mas a prevalência atribuída está equivocada.
- C)I e III, apenas.
Aqui se afirma que apenas I e III estariam corretas. A I realmente está adequada, mas a III mistura uma descrição clínica compatível com TB pleural, como dor torácica pleurítica, febre e tosse seca, com uma conclusão epidemiológica incorreta ao dizer que essa seria a forma extrapulmonar mais comum no HIV. Além disso, a II também é verdadeira, já que a TB miliar é um padrão de disseminação pulmonar associado a formas primária e secundária, especialmente em imunossuprimidos.
- D)II e III, apenas.
Esta opção considera corretas apenas II e III. A II está bem formulada, porque a TB miliar corresponde a um padrão radiológico difuso por disseminação hematogênica e aparece com maior frequência em pessoas com imunidade comprometida. O erro está em deixar de fora a I, que descreve corretamente a TB primária pulmonar, e em aceitar a III, cujo problema é a afirmação de que a pleural seria a forma extrapulmonar mais comum no HIV, algo que não se sustenta como regra epidemiológica.
- E)I, II e III.
A alternativa diz que as três afirmativas estão corretas, mas isso não se confirma no conteúdo. A I e a II estão adequadas, respectivamente, pela descrição típica da TB primária pulmonar e do padrão miliar disseminado, porém a III falha ao atribuir à TB pleural o posto de forma extrapulmonar mais comum em pessoas com HIV. Como essa conclusão epidemiológica é incorreta, não é possível aceitar o conjunto inteiro como verdadeiro.
Gabarito: B
A tuberculose pulmonar tem várias faces, e a banca gosta de misturar a forma primária, a miliar e a pleural para ver se você reconhece os padrões. Na TB primária, o quadro costuma aparecer após o primeiro contato com o bacilo, sendo mais comum em crianças e podendo ter sintomas bem discretos, como febre baixa, irritabilidade, sudorese noturna e inapetência. A tosse pode até faltar, e o exame físico muitas vezes não ajuda muito. Ou seja: criança com quadro arrastado e pouca exuberância clínica é uma pista clássica. A TB miliar é um padrão radiológico difuso, com múltiplos micronódulos espalhados pelos pulmões, lembrando um "céu estrelado" no raio-X. Ela pode surgir tanto na forma primária quanto na secundária e é especialmente grave em imunossuprimidos, principalmente em pessoas com HIV em fase avançada. Aqui a banca cobra bem essa associação com imunodepressão e gravidade. Já a TB pleural também existe, mas a frase da questão exagera ao dizer que ela é a forma mais comum de TB extrapulmonar em pessoas com HIV. Isso não é a regra clássica cobrada em prova. A TB pleural pode ocorrer com dor torácica pleurítica, febre e tosse seca, mas a afirmação como um todo fica errada por esse detalhe epidemiológico. Então, o gabarito B vem do seguinte: I está correta, II está correta, e III escorrega no ponto da frequência em HIV.