O uso voluntário de métodos contraceptivos pelas mulheres é de fundamental importância para a defesa de seus direitos reprodutivos. E todas devem ter acesso a informações baseadas em evidências e aconselhamento para garantir sua escolha. Sobre essas informações, marque a alternativa INCORRETA.
- A)Mulheres portadoras de condições em que a gravidez seja um risco inaceitável devem ser alertadas de que os métodos de barreira (preservativos, diafragma e capuz cervical) são adequados pelos baixos índices de falha em uso normal.
Errada, porque métodos de barreira têm maior taxa de falha no uso habitual e não são os mais adequados quando a gravidez representa risco inaceitável.
- B)Não existem condições médicas nas quais haja restrição ao uso de amenorreia da lactação como anticoncepção e não há evidências documentadas sobre algum impacto negativo para a saúde da mãe.
Certa, pois a amenorreia da lactação pode ser usada sem restrições médicas relevantes e não há evidência de prejuízo materno comprovado.
- C)A inserção de um DIU, imediatamente, após aborto séptico é contraindicada e piora, substancialmente, a condição.
Certa, porque a inserção de DIU após aborto séptico é contraindicada pelo risco de agravar a infecção.
- D)O diafragma é inadequado até seis semanas após um aborto de segundo trimestre.
Certa, pois o diafragma não deve ser usado logo após aborto de segundo trimestre, enquanto o colo e o trato genital ainda se recuperam.
- E)O capuz é inadequado até seis semanas após um aborto de segundo trimestre.
Certa, porque o capuz cervical também é inadequado nas primeiras semanas após aborto de segundo trimestre.
Gabarito: A
Quando o assunto é contracepção, a lógica é simples: o método precisa combinar com a situação clínica da mulher e com o nível de risco que uma gravidez poderia trazer. Por isso, em mulheres para as quais engravidar representa um risco inaceitável, os métodos com maior eficácia devem ser priorizados, e não aqueles com maior taxa de falha no uso habitual. Preservativo, diafragma e capuz cervical são métodos de barreira, úteis e importantes, mas não são os mais seguros para esse cenário porque dependem muito do uso correto em cada relação. É exatamente aqui que a alternativa A escorrega: ela diz que esses métodos seriam adequados pelos baixos índices de falha em uso normal, mas isso não é verdade. Em uso típico, os métodos de barreira têm falhas bem maiores do que métodos de longa ação, como DIU e implantes, então não são os mais apropriados quando a gravidez deve ser evitada quase a qualquer custo. As demais alternativas estão alinhadas com a prática recomendada. A amenorreia da lactação, quando corretamente indicada, é um método aceito e não traz evidência de dano materno. Já a inserção de DIU logo após aborto séptico é contraindicada, porque há risco de agravar a infecção. Também é correto considerar diafragma e capuz cervical inadequados por algumas semanas após aborto de segundo trimestre, período em que o colo e a anatomia uterina ainda estão em recuperação. Em prova, a banca costuma testar se você sabe diferenciar método "aceitável" de método "ideal". Nem tudo que pode ser usado é o melhor para situações de alto risco, e foi exatamente essa casca de banana que apareceu aqui.