A talidomida tem importantes propriedades terapêuticas para um grande número de doenças, porém é aprovada no Brasil para o tratamento de poucas condições, como o eritema nodoso da hanseníase. Inicialmente, os estudos da toxicidade da talidomida em roedores mostraram um baixo risco de intoxicação e poucos efeitos colaterais. Entretanto, na época, não foi realizado nenhum teste de teratogenicidade. As anomalias fetais devido ao uso da talidomida ocorrem quando a droga é ingerida por gestantes entre 35 a 49 dias após o último período menstrual. As mais descritas, com relação ao uso da talidomida são as malformações:
- A)Craniofaciais.
Errada, porque malformações craniofaciais podem ocorrer em síndromes congênitas, mas não são o achado clássico mais associado à talidomida.
- B)De membros.
Certa, porque a talidomida é classicamente associada a malformações de membros, especialmente focomelia e outras reduções de segmento.
- C)Vasculares.
Errada, porque alterações vasculares não são a principal lembrança teratogênica da talidomida em provas.
- D)Neuromusculares.
Errada, porque o padrão clássico da talidomida não é neuromuscular, e sim de defeitos estruturais de membros.
- E)Gastrintestinais.
Errada, porque malformações gastrintestinais não são o sinal mais característico ligado ao uso da talidomida na gestação.
Gabarito: B
A talidomida ficou famosa por um dos maiores exemplos de teratogenicidade da história da medicina. Quando usada no início da gestação, especialmente entre 35 e 49 dias após a última menstruação, ela pode interferir no desenvolvimento embrionário e causar malformações graves. Esse período é crítico porque é quando muitos tecidos e estruturas estão em formação, então um erro ali costuma deixar marca grande. Na prática, a anomalia mais clássica associada à talidomida é a malformação de membros, sobretudo redução ou ausência de segmentos dos membros, quadro chamado de focomelia. Por isso, entre as alternativas, a letra B é a correta. É o tipo de associação que cai muito em prova: talidomida + gestação precoce + defeitos de membros. As outras alterações também podem existir em síndromes congênitas, mas não são a marca mais lembrada da talidomida. Em concursos, quando a banca cita essa droga, ela geralmente quer que você lembre do comprometimento dos membros, que foi justamente o que tornou o fármaco historicamente emblemático. No Brasil, o uso da talidomida é bem restrito e controlado, justamente por esse risco teratogênico. Então, quando a questão fala em malformação mais descrita, pense direto em membros, sem inventar moda: aqui o bebê não é quem escolhe o figurino, a droga é que estraga o desenvolvimento.