Um homem tabagista, 60 anos, chega ao plantão com hematêmese volumosa. Apresenta hipotensão, confusão mental e antecedente de úlcera péptica. Sobre a conduta inicial na hemorragia digestiva alta (HDA), assinale a ação CORRETA.
- A)Priorizar endoscopia imediata sem qualquer estabilização, pois é um procedimento diagnóstico e terapêutico.
Errada, porque a endoscopia é importante, mas não deve vir antes da estabilização hemodinâmica em um paciente hipotenso e confuso.
- B)Aplicar vasopressores intensivos sem reposição volêmica.
Errada, porque vasopressor sem reposição volêmica piora a perfusão e não trata a causa do choque hemorrágico.
- C)Restabelecer volemia (cristaloides, sangue se necessário), usar inibidores de bomba de prótons e, após estabilidade, proceder endoscopia em 24 horas.
Certa, porque a conduta inicial é reanimar com cristaloides e sangue se necessário, associar IBP e realizar endoscopia após estabilização, em geral dentro de 24 horas.
- D)Restringir injeção de IBP, pois retarda a endoscopia.
Errada, porque o IBP não deve ser restringido nessa situação; ele faz parte do manejo inicial da HDA, sobretudo quando há suspeita de úlcera.
Gabarito: C
Na hemorragia digestiva alta, a primeira ideia não é correr para a endoscopia como se fosse apagar uma luz. O passo inicial é estabilizar o paciente: avaliar via aérea, circulação e perfusão, colher acesso venoso calibroso, iniciar reposição com cristaloides e transfusão se houver necessidade, especialmente quando há hipotensão e alteração do sensório. Isso porque, sem volemia e hemodinâmica minimamente seguras, o exame pode piorar a situação em vez de ajudar. Depois da reanimação inicial, usa-se inibidor de bomba de prótons por via venosa, principalmente quando a suspeita é de sangramento por úlcera péptica. O IBP ajuda a reduzir a agressão ácida sobre o coágulo e favorece o controle do sangramento, embora não substitua a endoscopia nem faça milagre sozinho. A endoscopia digestiva alta é o exame decisivo, porque diagnostica e muitas vezes trata o sangramento, mas deve ser realizada após estabilização clínica. Em geral, a realização ocorre nas primeiras 24 horas, com prioridade maior se o paciente estiver estável; em casos muito graves, a equipe deve individualizar a urgência, mas sempre com reanimação antes. Por isso, a alternativa correta é a que combina reposição volêmica, suporte hemodinâmico e IBP, seguida de endoscopia após estabilização. Em prova, lembre da lógica: primeiro salva a circulação, depois entra com a pinça e a câmera.