Considere os seguintes argumentos lógicos: A1. Todos os patrocinenses são mineiros. João não é mineiro. Logo, João não é patrocinense. A2. Nenhuma pessoa vitoriosa dorme até tarde. Jéssica não dorme até tarde. Logo, Jéssica é uma pessoa vitoriosa. A respeito desses argumentos lógicos, é correto afirmar que:
- A)Ambos são válidos.
Errada, porque A2 é inválido: de “não dorme até tarde” não se conclui automaticamente “é vitoriosa”.
- B)Apenas A2 é válido.
Errada, porque A1 é válido pela forma modus tollens, e o erro está em descartar o primeiro argumento.
- C)Apenas A1 é válido.
Certa, porque A1 é válido e A2 é inválido.
- D)Ambos são inválidos.
Errada, porque A1 não é inválido: a conclusão decorre necessariamente das premissas.
Gabarito: C
Em raciocínio lógico, um argumento é válido quando a conclusão decorre necessariamente das premissas. Aqui, o truque está em identificar a forma do argumento, e não apenas “sentir” que ele parece plausível. Na prática, a banca adora transformar uma relação do tipo “se acontece X, então acontece Y” em uma armadilha de inversão ou de conclusão apressada. No argumento A1, temos: “Todos os patrocinenses são mineiros” e “João não é mineiro”. Isso permite aplicar o modus tollens: se todo patrocinense é mineiro, quem não é mineiro não pode ser patrocinense. Então a conclusão está correta e o argumento é válido. Já no A2, a frase “Nenhuma pessoa vitoriosa dorme até tarde” significa: se é vitoriosa, então não dorme até tarde. Mas de “Jéssica não dorme até tarde” não dá para concluir que ela seja vitoriosa. Isso seria uma inversão indevida da condicional, um erro clássico em lógica proposicional. Portanto, o gabarito C está correto porque apenas o primeiro argumento é válido. O segundo cai na velha armadilha de achar que, se uma característica aparece na conclusão da regra, então a pessoa obrigatoriamente pertence ao grupo. Em lógica, essa pressa costuma custar pontos.