O Congresso de Milão em 1880 foi o clímax da história da educação dos surdos. Segundo (BORNE,2002, p.51): “Os temas propostos foram: vantagens e desvantagens do internato, tempo de instrução, número de alunos por classe, trabalhos mais apropriados aos surdos, enfermidades, medidas curativas e preventivas etc. Apesar da variedade de temas, as discussões voltaram-se às questões do oralismo e da língua de sinais.” Relacione as colunas sobre as características de abordagens educacionais ao longo da história da educação de surdos. 1. Bilinguismo 2. Comunicação Total 3. Oralismo ( ) É a crença que seja a única forma desejável de comunicação para o surdo, e a língua de sinais deve ser evitada a qualquer custo, porque atrapalha o desenvolvimento da aquisição da língua. ( ) É uma abordagem educacional que incorpora o desenvolvimento de qualquer resto de audição para melhoria das habilidades de fala, incluindo língua de sinais, alfabeto manual, leitura e escrita, dentre outros. ( ) É a abordagem que apresenta uma proposta de ensino para acessar duas línguas no contexto escolar, considerando a língua de sinais como primeira língua e o português, na modalidade escrita, como segunda língua. Assinale a opção que indica a sequência correta, na ordem apresentada.
- A)3 – 1 – 2.
Errada, porque troca as três abordagens e atribui o primeiro enunciado ao bilinguismo, quando ele descreve oralismo.
- B)2 – 1 – 3.
Errada, porque coloca comunicação total como bilinguismo e oralismo como a última descrição, invertendo os conceitos.
- C)2 – 3 – 1.
Errada, porque a segunda descrição é de comunicação total, não de oralismo, e a terceira é de bilinguismo.
- D)3 – 2 – 1.
Certa, porque a sequência correta é oralismo, comunicação total e bilinguismo, na ordem das descrições.
- E)1 – 2 – 3.
Errada, porque começa pelo bilinguismo, mas o primeiro enunciado trata da visão oralista de rejeição à língua de sinais.
Gabarito: D
A história da educação dos surdos costuma ser organizada em três grandes abordagens: oralismo, comunicação total e bilinguismo. A ordem dessas ideias importa, porque cada uma nasceu de uma visão diferente sobre linguagem, aprendizagem e inclusão. O oralismo foi a postura mais rígida: a fala e a leitura labial eram tratadas como caminho principal, e a língua de sinais era vista quase como vilã da história. Isso combina exatamente com a primeira descrição da questão. Já a comunicação total veio como uma resposta mais flexível ao fracasso do oralismo puro. Ela passou a aceitar vários recursos ao mesmo tempo: fala, leitura labial, língua de sinais, alfabeto manual, gestos, escrita e apoio do resíduo auditivo. Ou seja, não era uma defesa de uma única língua, mas de qualquer meio que ajudasse a comunicação. Por isso, a segunda descrição corresponde a essa abordagem. Por fim, o bilinguismo defende o acesso a duas línguas no ambiente escolar: a língua de sinais como primeira língua e o português, em regra na modalidade escrita, como segunda língua. Aqui, a ideia central é respeitar a língua natural da pessoa surda e, ao mesmo tempo, garantir acesso ao português. É a lógica que aparece na terceira descrição. Então, a sequência fica 3 - 2 - 1, que é justamente a alternativa D. Em termos históricos e doutrinários, essa evolução também dialoga com a crítica ao oralismo reforçada após o Congresso de Milão de 1880, marco em que a língua de sinais foi fortemente desvalorizada, abrindo caminho para debates posteriores sobre comunicação total e bilinguismo.