Em relação ao Processamento Auditivo Central, os indivíduos com déficit de:
- A)Integração auditiva têm dificuldade para analisar as características acústicas dos sons da fala; à avaliação do processamento auditivo central (PAC), mostram baixo desempenho em testes monoaurais de baixa redundância. A análise qualitativa dos tipos de erros apresentados evidenciam emissões e substituições fonêmicas, principalmente sob audição dicótica.
Errada: a descrição mistura déficit de integração com achados que se aproximam de outros quadros, especialmente pela associação indevida entre dificuldade de análise acústica e erros fonêmicos sob escuta dicótica.
- B)Decodificação auditiva têm dificuldade em aplicar as regras da língua à informação auditiva de entrada; à avaliação do PAC, mostram desempenho rebaixado bilateralmente em testes dicóticos. A análise qualitativa dos tipos de erros evidencia contaminações e substituições de palavras por aproximação sintagmática ou paradigmática.
Errada: déficit de decodificação se relaciona mais com análise de fala e testes monaurais de baixa redundância, não com prejuízo bilateral em testes dicóticos como regra principal.
- C)Organização de saída têm dificuldade em organizar, sequenciar, planejar e/ou emitir respostas; à avaliação do PAC, mostram resultados bastante baixos em teste de fala do ruído e/ou naqueles em que as respostas devem ser ditas em uma ordem específica. A análise qualitativa dos tipos de erros aponta omissão generalizada de palavras, resgate de palavras já ouvidas anteriormente e/ou inversões na ordem sequencial.
Certa: déficit de organização de saída envolve dificuldade de planejar, sequenciar e emitir respostas, com piora em fala no ruído e erros como omissões, repetições e inversões de ordem.
- D)Associação auditiva apresentam dificuldades em integrar estímulos auditivos com estímulos visuais e/ou táteis e informação auditiva verbal com não verbal; à avaliação do PAC, mostram baixo desempenho em orelha esquerda ou não dominante, sob estimulação dicótica, e dificuldades nos testes de processamento temporal quando solicitados a conceituar e nomear sons não verbais. A análise qualitativa dos tipos de erros mostra lentidão de respostas e omissões de palavras recebidas em audição dicótica.
Errada: a descrição aponta para associação auditiva, mas mistura lateralidade dicótica e processamento temporal de forma inconsistente, além de não corresponder ao padrão clássico de organização de saída cobrado em prova.
Gabarito: C
O Processamento Auditivo Central (PAC) costuma ser cobrado pela lógica dos déficits: cada perfil traz um tipo de dificuldade e um padrão de erro na avaliação. Em geral, a banca quer que voce associe a queixa funcional com o teste em que o desempenho tende a cair e com o tipo de erro mais comum. No caso da alternativa C, o déficit de organização de saída é aquele em que o problema não é exatamente ouvir o som, mas organizar a resposta. Por isso, a pessoa pode ter pior desempenho em testes de fala no ruído ou em tarefas que exigem resposta em ordem específica, porque a dificuldade está em planejar, sequenciar e emitir a resposta corretamente. A descrição também bate com a análise qualitativa: omissões, repetições de palavras já ouvidas e inversões na ordem sequencial são sinais típicos de falha na organização da saída. Em outras palavras, o ouvido até captou, mas a resposta saiu meio “embaralhada”. As demais alternativas misturam perfis diferentes de PAC. A questão segue a classificação doutrinária clássica da audiologia, muito usada em provas, em que cada déficit se relaciona a um conjunto característico de testes e erros.