O Acidente Vascular Encefálico (AVE) gera necessidade de cuidados hospitalares, tanto imediatos, como ao longo do período de internação, o que resulta em um elevado custo social e econômico. O processo de hospitalização por AVE geralmente se inicia por meio de atendimento emergencial, em virtude de sinais sugestivos da doença, seguido de confirmação diagnóstica, mediante avaliação clínica e exames complementares. Dentre as diversas complicações adquiridas após o AVE, ainda no período de internação hospitalar, estão a flacidez muscular, arreflexia, hemiplegia, hemianestesia e alterações cognitivas. Do ponto de vista fonoaudiológico, assinale a alternativa que não apresenta as sequelas mais comuns associadas à comunicação e deglutição.
- A)Em relação à comunicação, a afasia é a condição mais frequente, indo desde uma alteração linguística leve, como a dificuldade de emitir nomes, até uma alteração mais grave, como a perda da capacidade de emitir e compreender qualquer sinal linguístico
Está correta, porque a afasia é uma sequela muito frequente do AVE e pode variar de alterações leves de nomeação até quadros graves de compreensão e expressão.
- B)A disfagia orofaríngea é considerada uma das sequelas funcionais mais comuns do AVE e pode provocar complicações pulmonares e nutricionais, que implicam no declínio da saúde geral do indivíduo e prorrogação do tempo de permanência hospitalar
Está correta, porque a disfagia orofaríngea é uma complicação comum do AVE e pode gerar problemas respiratórios e nutricionais com aumento do tempo de internação.
- C)A assistência fonoaudiológica hospitalar pode diminuir o tempo de uso de vias alternativas de alimentação, auxiliar a melhora do quadro pulmonar, prevenir complicações comunicativas e reduzir o tempo de internação
Está correta, porque a intervenção fonoaudiológica hospitalar pode favorecer a segurança da alimentação, reduzir complicações pulmonares e encurtar a internação.
- D)Diante do quadro de alteração de comunicação pós AVE, o neurologista é o responsável pela estimulação da comunicação visando sua reabilitação. Nestes casos, cabe ao fonoaudiólogo apenas a reabilitação da deglutição
Está errada, porque o fonoaudiólogo não atua só na deglutição; ele também participa da avaliação e reabilitação da comunicação após o AVE, enquanto o neurologista não substitui essa função.
Gabarito: D
O AVE costuma deixar um rastro bem conhecido na prática fonoaudiológica: alteração de comunicação, especialmente afasia, e disfagia orofaríngea. Isso acontece porque as áreas e vias neurais envolvidas na linguagem, no controle motor da fala e na coordenação da deglutição podem ser atingidas, gerando desde dificuldade para nomear objetos até quadros mais graves de compreensão e expressão. Na internação, a disfagia merece atenção especial porque aumenta risco de aspiração, pneumonia, desnutrição e desidratação. Por isso, a atuação do fonoaudiólogo no hospital é muito importante para avaliação, conduta e reabilitação, podendo inclusive ajudar a reduzir tempo de dieta alternativa e de permanência hospitalar. A alternativa D é a incorreta porque transfere para o neurologista a responsabilidade pela estimulação da comunicação e limita o fonoaudiólogo apenas à deglutição. Na realidade, a reabilitação da comunicação após AVE é área típica da Fonoaudiologia, que atua tanto na linguagem quanto na voz, fala e deglutição, em conjunto com a equipe multiprofissional. Em outras palavras: não é um trabalho de “cada um cuida de um pedaço só”, porque a reabilitação neurológica costuma ser integrada. Como base técnica, isso se alinha às atribuições da Fonoaudiologia na atuação clínica e hospitalar, especialmente na avaliação e reabilitação dos distúrbios da comunicação e da deglutição em pacientes neurológicos.