Sobre o refluxo laringofaríngeo, podemos afirmar que: I. Os sintomas mais frequentemente relacionados ao refluxo laringofaríngeo são: dor de garganta, sensação de globus faríngeo, pigarro, disfonia, tosse seca e crises de laringoespasmo, sendo que uma parcela considerável destes sintomas está associada à voz. II. A laringe apresenta menor susceptibilidade à lesão por refluxo do que o esôfago, pois possui as defesas epiteliais (barreira antirrefluxo). III. As pregas vocais podem sofrer com os efeitos provocados pelo refluxo ácido, uma vez que o próprio ácido, tosse e pigarro podem agravar lesões laríngeas, alterando a constituição das pregas vocais e resultando em lesões típicas como granulomas e úlceras de contato. Marque a alternativa que contempla as assertivas corretas:
- A)I, II e III.
Essa alternativa considera verdadeiras as três assertivas, mas a leitura fisiopatológica não fecha por causa da segunda. No refluxo laringofaríngeo, a laringe é mais vulnerável do que o esôfago, porque dispõe de menos mecanismos de proteção contra o material refluído, e não o contrário. As demais descrições fazem sentido: I traz sintomas típicos como pigarro, globus, disfonia e tosse seca, e III relaciona a irritação ácida e o esforço de tosse/pigarro a granulomas e úlceras de contato.
- B)Apenas I e III.
Aqui estão reunidas as assertivas que realmente correspondem ao refluxo laringofaríngeo. A I descreve o quadro clínico mais comum, com queixas faríngeas e vocais, e a III explica a repercussão laríngea do refluxo ácido e da agressão mecânica repetida, capazes de piorar lesões e favorecer granulomas e úlceras de contato. A combinação é correta porque a segunda afirmativa é a única que destoa da fisiopatologia, ao atribuir à laringe uma proteção que ela não tem em grau suficiente.
- C)Somente II.
Esta opção sustenta que somente a segunda afirmativa deve ser aproveitada. Ocorre que ela está conceitualmente invertida: a laringe é, em geral, mais suscetível à lesão por refluxo do que o esôfago, justamente por não ter a mesma barreira protetora e os mesmos mecanismos de depuração. Já a I e a III descrevem sinais e lesões tipicamente associados ao refluxo laringofaríngeo, então não podem ser excluídas.
- D)Apenas I e II.
A alternativa reúne I e II, mas deixa de lado a terceira afirmativa, que também é compatível com o tema. A I está adequada ao listar sintomas como dor de garganta, globus, pigarro, disfonia e tosse seca; o problema é a II, que erra ao dizer que a laringe é menos suscetível que o esôfago, quando a literatura aponta maior vulnerabilidade laríngea ao conteúdo refluído. Como a III também é verdadeira ao relacionar o refluxo e a irritação por tosse/pigarro a granulomas e úlceras de contato, a combinação proposta não fecha.
Gabarito: B
O refluxo laringofaríngeo acontece quando o conteúdo gástrico sobe e alcança a laringe e a faringe, irritando essas estruturas. Diferente do refluxo gastroesofágico clássico, ele costuma aparecer mais com sintomas de garganta do que com azia, por isso é comum a pessoa reclamar de pigarro, sensação de “bolo” na garganta, tosse seca, rouquidão e dor de garganta. A assertiva I está correta porque esses são mesmo os sintomas mais lembrados na prática clínica. E repare como muitos deles afetam diretamente a voz: a disfonia é frequente, e o pigarro repetido ainda piora a vibração das pregas vocais, como se a laringe nunca tivesse paz para trabalhar. A assertiva III também está correta. O ácido, junto com a tosse e o pigarro repetidos, pode agredir a mucosa laríngea e alterar as pregas vocais, favorecendo lesões como granulomas e úlceras de contato. Isso é um raciocínio bem cobrado em Fonoaudiologia, porque liga refluxo, irritação crônica e alteração vocal. Já a assertiva II está errada. A laringe não é mais resistente que o esôfago ao refluxo; na verdade, ela é mais sensível e pode sofrer lesões com pequenas exposições ao material refluído, especialmente porque sua mucosa é menos preparada para esse tipo de agressão. Por isso o gabarito é B, apenas I e III.