De acordo com a classificação dos achados da VED, o laudo de presença de estase salivar moderado está relacionado à piora após a ingestão de alimentos, à regurgitação nasal e à presença de resíduos mesmo após três tentativas de propulsão do bolo alimentar. Além disso, há penetração laríngea, mas não há aspiração. Sendo assim, que classificação da disfagia pode-se apontar?
- A)Disfagia moderada.
Correta, porque os achados descritos indicam comprometimento funcional importante sem aspiração, compatível com disfagia moderada.
- B)Deglutição normal
Errada, porque há estase, resíduos, regurgitação nasal e penetração laríngea, então a deglutição não está normal.
- C)Disfagia leve.
Errada, porque o conjunto de sinais é mais intenso do que uma disfagia leve, com dificuldade para propulsão do bolo e limpeza da faringe.
- D)Disfagia grave.
Errada, porque falta aspiração e o enunciado descreve penetração laríngea, o que não sustenta classificação grave.
Gabarito: A
A videofluoroscopia ou a avaliação endoscópica da deglutição ajuda a classificar a disfagia pela gravidade dos sinais encontrados. Quando aparecem estase salivar moderada, piora após a ingestão, regurgitação nasal e resíduos mesmo depois de três tentativas de propulsão do bolo, o quadro já mostra dificuldade importante para organizar e limpar a deglutição. O ponto decisivo aqui é que não há aspiração, mas existe penetração laríngea. Ou seja, o alimento ou saliva chega perto da via aérea, entra na laringe, porém não ultrapassa para a traqueia. Isso afasta a ideia de um quadro normal e também impede classificar como grave, porque na disfagia grave costuma haver maior comprometimento da segurança da deglutição, muitas vezes com aspiração e maior risco respiratório. Na prática, a classificação intermediária encaixa melhor: disfagia moderada. Ela combina resíduos, necessidade de várias tentativas para propulsão do bolo, sinais de escape nasal e penetração laríngea, mas sem aspiração. É aquele tipo de questão em que você olha para os achados e pensa: 'a deglutição está funcionando, mas está bem sofrida'. Como fundamento doutrinário, essa graduação segue a lógica usada em protocolos fonoaudiológicos de classificação da disfagia por gravidade, nos quais se consideram eficiência da deglutição, presença de resíduos, penetração e aspiração. A banca costuma cobrar exatamente esse raciocínio: mais sinais funcionais e mais risco, maior a gravidade.