Ainda sobre as recomendações do Joint Committee on Infant Hearing (2019) acerca dos exames eletrofisiológicos utilizados na triagem auditiva neonatal, analise as assertivas abaixo. I. Tanto as Emissões Otoacústicas (EOA) quanto o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE) podem ser usados para detectar perda auditiva neurossensorial (cóclea). II. Bebês com neuropatia auditiva podem falhar no PEATE e passar nas EOA. III. Uma vantagem desses exames eletrofisiológicos é a de que alterações condutivas de orelha externa ou média não interferem nos resultados das EOA e do PEATE. Quais estão corretas?
- A)Apenas I.
A alternativa afirma que somente a assertiva I estaria correta, isto é, que EOA e PEATE servem para detectar perda auditiva neurossensorial de origem coclear. Essa ideia até corresponde ao conteúdo da I, porque ambos os exames podem sinalizar alteração coclear na triagem neonatal. O problema é que a II também está correta, pois o bebê com neuropatia auditiva pode apresentar PEATE alterado/ausente com EOA preservadas, então não se pode limitar a resposta apenas à I.
- B)Apenas I e II.
A alternativa reúne as assertivas I e II, ou seja, diz que os dois exames eletrofisiológicos podem ajudar a identificar perda neurossensorial coclear e que o padrão de neuropatia auditiva pode ser PEATE alterado com EOA normais. Isso está de acordo com a lógica da triagem auditiva neonatal e com as recomendações do JCIH 2019, porque o PEATE avalia a via até o tronco encefálico e as EOA avaliam a função coclear. A III é que está incorreta, já que alterações condutivas de orelha externa ou média interferem, sim, nos resultados, sobretudo das EOA, podendo também prejudicar o PEATE.
- C)Apenas I e III.
A alternativa sustenta que I e III seriam as corretas, isto é, que os dois exames detectam perda neurossensorial coclear e que alterações condutivas não interferem nos resultados. A primeira parte procede, mas a segunda contraria a prática clínica: verniz, líquido em orelha média e outras condições condutivas podem abolir ou reduzir EOA e também comprometer a resposta no PEATE. Por isso, a presença da III torna a alternativa errada.
- D)Apenas II e III.
A alternativa afirma que apenas II e III estariam corretas, descrevendo tanto o padrão clássico da neuropatia auditiva quanto a suposta ausência de interferência de alterações condutivas. A II está certa, porque na neuropatia auditiva é comum o bebê falhar no PEATE e passar nas EOA, mas a III não procede, já que problemas de condução na orelha externa ou média alteram a transmissão do som e prejudicam os exames. Além disso, a I também é verdadeira, então a combinação proposta não fecha com o enunciado.
- E)I, II e III.
A alternativa diz que as três assertivas estariam corretas, como se EOA e PEATE detectassem perda coclear, a neuropatia auditiva gerasse PEATE alterado com EOA preservadas e, ao mesmo tempo, alterações condutivas não interferissem nos testes. As duas primeiras ideias são compatíveis com a triagem auditiva neonatal, mas a terceira é incompatível com a fisiologia dos exames, porque alterações de orelha externa ou média podem impedir a passagem adequada do estímulo sonoro e falsear os resultados. Assim, não é possível considerar I, II e III verdadeiras ao mesmo tempo.
Gabarito: B
Na triagem auditiva neonatal, as Emissões Otoacústicas (EOA) avaliam principalmente a função coclear, sobretudo das células ciliadas externas, enquanto o PEATE observa a via auditiva até o tronco encefálico. Por isso, os dois exames ajudam a identificar perda auditiva neurossensorial, só que cada um olha o sistema auditivo por uma “janela” diferente. O Joint Committee on Infant Hearing (JCIH, 2019) recomenda o uso desses exames na triagem, justamente porque eles ampliam a chance de captar alterações auditivas logo no começo da vida. A assertiva II está correta porque a neuropatia auditiva pode gerar um quadro clássico de EOA presentes com PEATE alterado ou ausente. Traduzindo: a cóclea pode até responder, mas a transmissão neural está desorganizada, então o bebê falha no PEATE e passa nas EOA. Esse é um ponto muito cobrado em prova, porque muita gente acha que “passou na EOA, então está tudo certo”, e não está. Já a assertiva III está errada. Alterações condutivas da orelha externa ou média podem, sim, interferir nos resultados tanto das EOA quanto do PEATE, porque o som precisa atravessar esse caminho antes de chegar à cóclea. Ou seja, cera, vérnix, líquido em orelha média ou outra barreira podem atrapalhar a triagem e até gerar falha transitória. Assim, o gabarito é a letra B, porque apenas as assertivas I e II estão corretas.