A deglutição já está presente antes mesmo do nascimento, tendo suas primeiras ocorrências por volta da décima terceira semana de gestação. Em relação à avaliação fonoaudiológica na disfagia neonatal, avalie as afirmativas a seguir. I. Prematuridade, transtornos neurológicos, refluxo e malformações congênitas são capazes de desenvolver a disfagia. II. Os comportamentos miofuncionais orais que o neonato deve apresentar durante a sucção são: vedamento labial, compressão labial e formação de leve sulco nas comissuras labiais e movimentos mandibulares e de língua anteroposteriores. III. Os recém-nascidos prematuros que têm anormalidade da função laríngea manifestam dificuldades de alimentação caracterizadas por engasgos, tosse, náuseas, regurgitação, refluxo faringonasal, baixo ganho ponderal, estresse respiratório e aspiração. Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
A alternativa reúne as três afirmativas: fatores de risco para disfagia neonatal, sinais miofuncionais esperados na sucção e manifestações clínicas de alteração laríngea em prematuros. Todas estão em linha com a avaliação fonoaudiológica do neonato, que considera tanto condições etiológicas como sinais funcionais de alimentação. Por isso, o conjunto I, II e III está correto.
- B)I, apenas.
Esta opção afirma apenas a I, isto é, que prematuridade, alterações neurológicas, refluxo e malformações congênitas podem levar à disfagia neonatal. Embora essa afirmação esteja certa, ela é incompleta, porque a II descreve parâmetros funcionais normais da sucção do neonato e a III lista sinais típicos de comprometimento laríngeo também reconhecidos na prática clínica. Assim, não se pode restringir o acerto somente à I.
- C)I e III, apenas.
Aqui se sustenta que estão corretas apenas as afirmativas I e III, deixando de fora a II. O problema é que a II descreve características esperadas da sucção neonatal, como vedamento labial, sulco comissural leve e movimentos rítmicos de mandíbula e língua, que fazem parte da avaliação oromotora do recém-nascido. Como esses elementos também procedem, a exclusão da II torna a alternativa incorreta.
- D)II e III, apenas.
Esta alternativa considera verdadeiras apenas as afirmativas II e III. A II está compatível com a fisiologia da sucção no recém-nascido, e a III reúne sinais clássicos de dificuldade alimentar em prematuros com alteração laríngea, como engasgos, tosse e aspiração. Porém, a I também é correta ao apontar prematuridade, refluxo, alterações neurológicas e malformações como causas associadas à disfagia, de modo que a alternativa fica incompleta.
- E)I e II, apenas.
A opção admite apenas I e II, deixando a III de fora. Ocorre que a III descreve justamente repercussões frequentes da disfunção laríngea em prematuros, como estresse respiratório, regurgitação, baixo ganho ponderal e aspiração, quadro muito pertinente à disfagia neonatal. Como essa afirmativa também é verdadeira, a alternativa não corresponde ao conjunto correto.
Gabarito: A
A deglutição começa muito cedo mesmo, ainda na vida intrauterina, e isso ajuda a entender por que a disfagia neonatal pode aparecer já nos primeiros contatos do bebê com a alimentação. Na prática, o fonoaudiólogo olha para fatores de risco como prematuridade, alterações neurológicas, refluxo e malformações congênitas, porque tudo isso pode bagunçar a coordenação entre sucção, deglutição e respiração. Na avaliação do neonato, a sucção precisa ser observada com cuidado: espera-se vedamento labial, compressão adequada dos lábios, discreto sulco nas comissuras e movimentos coordenados de mandíbula e língua, especialmente no sentido anteroposterior. Se esses elementos não aparecem bem, a alimentação vira uma pequena maratona, e não uma tarefa simples. Também é importante lembrar que recém-nascidos prematuros com alteração da função laríngea podem apresentar engasgos, tosse, náuseas, regurgitação, refluxo faringonasal, baixo ganho ponderal, estresse respiratório e até aspiração. Ou seja, o problema não é só "comer mal", mas também proteger a via aérea durante a alimentação. Por isso o gabarito é A: as três afirmativas estão corretas. A banca cobra justamente essa visão integrada da disfagia neonatal, unindo fatores de risco, sinais orais e sinais clínico-funcionais de alerta.