O transtorno específico de aprendizagem, de origem neurobiológica, caracterizado por dificuldades ortográficas e habilidades de decodificação que tipicamente resultam de um déficit no componente fonológico da linguagem que, geralmente, é inesperado em relação a outras habilidades cognitivas e no nível de ensino fornecido em sala de aula, denomina-se
- A)disortografia.
Disortografia é a dificuldade específica na ortografia, mas não define o transtorno de decodificação e leitura descrito no enunciado.
- B)disgrafia.
Disgrafia envolve prejuízo na escrita motora e no traçado gráfico, não sendo o quadro principal de déficit fonológico apresentado na questão.
- C)dislexia.
Correta, pois descreve o transtorno específico de aprendizagem com dificuldade de decodificação e ortografia por déficit no componente fonológico.
- D)distúrbio específico de linguagem.
Distúrbio específico de linguagem é um transtorno do desenvolvimento da linguagem oral, e não o quadro de leitura e escrita da questão.
- E)transtorno do espectro autista.
Transtorno do espectro autista pode afetar comunicação e linguagem, mas não corresponde ao transtorno específico de aprendizagem com déficit de decodificação.
Gabarito: C
A questão descreve um transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica que afeta principalmente a leitura e a escrita, com dificuldade de decodificar palavras e de lidar com a relação entre som e letra. Em outras palavras: a pessoa até pode ter inteligência e escolaridade compatíveis, mas trava justamente na hora de transformar grafemas em fonemas e vice-versa. É aquele problema que não é falta de estudo nem preguiça, é uma dificuldade bem típica do processamento fonológico. Esse quadro é a dislexia. Ela costuma aparecer como leitura lenta, com muitos erros, esforço acima do normal para decodificar e, muitas vezes, impacto também na ortografia. Por isso o enunciado fala em dificuldades ortográficas e habilidades de decodificação decorrentes de déficit no componente fonológico da linguagem, de forma inesperada em relação às outras habilidades cognitivas e ao ensino recebido. Na prática, a banca está cobrando a definição clássica de dislexia, usada em manuais diagnósticos e na literatura fonoaudiológica e neuropsicológica. O ponto-chave é o déficit fonológico: o problema central não é visão, não é falta de oportunidade escolar, nem dificuldade global de aprendizagem. É uma alteração específica no processamento da linguagem escrita. Então, o gabarito é a letra C, porque ela nomeia exatamente esse transtorno específico de aprendizagem com prejuízo em decodificação e ortografia, associado ao componente fonológico da linguagem. As demais alternativas até orbitam o campo da escrita e da linguagem, mas não descrevem esse perfil tão característico.