A audiometria vocal usa testes que permitem verificar a capacidade de detecção e reconhecimento de palavras, confirmando os limiares tonais e auxiliando tanto no topodiagnóstico como na previsão do desempenho social do indivíduo. Com relação ao Índice percentual de reconhecimento de fala (IPRF) assinale V para afirmativa verdadeira e F para falsa. ( ) A realização do IPRF em uma intensidade elevada pode levar ao fenômeno de rollover, que é a redução do reconhecimento de fala em intensidades superiores àquelas que geram a porcentagem máxima de reconhecimento. ( ) Indivíduos com alterações condutivas desempenham da mesma forma que normais, desde que garantida a intensidade adequada. ( ) Quando o indivíduo tem um desempenho pior do que o esperado para sua perda auditiva, suspeita-se de alteração retrococlear. As afirmativas são, respectivamente,
- A)V – V – V.
Correta, porque as três afirmativas refletem achados clássicos da audiometria vocal e do IPRF.
- B)V –V – F.
Errada, porque a terceira afirmativa não é falsa: pior desempenho do que o esperado levanta suspeita de alteração retrococlear.
- C)V – F – F.
Errada, porque a segunda afirmativa também é verdadeira em perdas condutivas quando a intensidade é adequada.
- D)F – V – F.
Errada, porque a primeira afirmativa é verdadeira, já que o rollover pode ocorrer em intensidades elevadas.
- E)F – F – V.
Errada, porque a primeira e a segunda afirmativas não são falsas.
Gabarito: A
A audiometria vocal avalia como a pessoa detecta e reconhece a fala, indo além dos tons puros. Na prática, ela ajuda a confirmar o impacto funcional da perda auditiva e também a levantar pistas sobre o local da lesão, ou seja, se o problema é mais periférico, condutivo ou pode ter componente retrococlear. O IPRF mede o percentual de palavras reconhecidas em uma intensidade definida. Quando se aumenta muito a intensidade, pode acontecer o fenômeno de rollover, em que o desempenho cai em vez de continuar melhorando. Isso chama atenção porque não é o comportamento esperado em uma orelha normal. Nas perdas condutivas, o desempenho costuma ser semelhante ao de indivíduos sem alteração, desde que a fala seja apresentada em intensidade suficiente para vencer a barreira de condução. Já quando o paciente apresenta desempenho pior do que o esperado para o grau da perda auditiva, a suspeita de lesão retrococlear ganha força, porque o problema deixa de ser apenas de audibilidade e passa a sugerir falha na discriminação. Por isso, as três afirmações estão corretas, e o gabarito A se sustenta: rollover é verdadeiro, perdas condutivas podem ter reconhecimento preservado com intensidade adequada, e desempenho desproporcionalmente ruim sugere alteração retrococlear.