Uma vez que a fissura acomete o palato, independente de esta estar ou não associada à fissura de lábio, sérios problemas na comunicação oral podem ocorrer. Entre os principais problemas podem ser citados
- A)voz soprosa e trocas articulatórias dos fonemas fricativos.
Errada: voz soprosa pode ocorrer em alguns quadros, mas o achado mais característico da fissura de palato é hipernasalidade e escape nasal, não trocas específicas de fricativos como regra principal.
- B)ataque vocal brusco e voz hipernasal na fala encadeada.
Errada: ataque vocal brusco não é o principal sinal da fissura palatina, e a hipernasalidade pode aparecer, mas a alternativa mistura um achado laríngeo com um quadro que é de ressonância e articulação.
- C)ressonância hiponasal e trocas articulatórias de fonemas plosivos.
Errada: a fissura de palato tende a causar hipernasalidade, e não hiponasalidade; além disso, os problemas articulatórios costumam ser compensatórios, não apenas trocas de plosivos.
- D)ressonância hipernasal e escape de ar nasal excessivo durante a fala.
Certa: a fissura acometendo o palato compromete o fechamento velofaríngeo, produzindo hipernasalidade e escape de ar nasal excessivo durante a fala.
- E)ressonância com foco laríngeo e atraso do desenvolvimento da fala e da linguagem.
Errada: foco laríngeo e atraso de fala/linguagem não são os principais sinais esperados da fissura palatina; o quadro mais clássico é alteração de ressonância com escape nasal.
Gabarito: D
Quando a fissura envolve o palato, o principal problema não é só “abrir um buraco” na anatomia, mas comprometer o fechamento velofaríngeo, que é o mecanismo que separa boca e nariz na fala. Sem esse fechamento adequado, parte do ar escapa pelo nariz e a voz ganha ressonância nasal excessiva, o que chamamos de hipernasalidade. Além disso, o fluxo de ar oral fica prejudicado, então você pode notar escape de ar nasal durante a fala, principalmente em sons que exigem pressão intraoral, como plosivos e fricativos. Isso atrapalha bastante a inteligibilidade e pode vir acompanhado de compensações articulatórias, mas o achado clássico cobrado em prova é a alteração de ressonância com escape nasal. Por isso, a alternativa D está correta: fissura de palato costuma gerar hipernasalidade e escape de ar nasal excessivo durante a fala. É o retrato típico da insuficiência velofaríngea, muito lembrado em Fonoaudiologia e bastante cobrado em concursos. Em resumo: se o palato não fecha direito, o som e o ar “fogem” para o nariz. A fala fica com nasalidade aumentada e com perda de pressão oral, especialmente em fonemas que dependem de fechamento bem feito.