Podemos dizer que o campo da Motricidade orofacial foi criado por uma demanda da Odontologia que começou a perceber a interferência da musculatura orofacial nos resultados do seu trabalho. Considerando a interface entre a fonoaudiologia e a odontologia, avalie se as afirmativas a seguir são verdadeiras (V) ou falsas (F). ( ) Parece existir um consenso entre as duas áreas, fonoaudiologia e odontologia, sobre a capacidade de alterações de forma, consideradas aqui más oclusões, ocasionar desequilíbrio na função. ( ) O fonoaudiólogo que atua junto à odontologia deve ter conhecimento acerca de nomenclaturas e classificações da área. ( ) Há três tipos de abordagens de tratamento da reabilitação morfofuncional aplicada pela odontologia: preventivo, interceptativo e corretivo. As afirmativas são, respectivamente,
- A)V – V – V.
Correta: as três afirmativas estão de acordo com a interface Fonoaudiologia-Odontologia e com a lógica da Motricidade Orofacial.
- B)V – V – F.
Errada: a primeira e a segunda afirmativas estão corretas, então não pode haver falso na terceira.
- C)V – F – V.
Errada: a segunda afirmativa é verdadeira, pois o fonoaudiólogo precisa conhecer a nomenclatura e as classificações odontológicas.
- D)F – V – V.
Errada: a primeira afirmativa também é verdadeira, já que má oclusão e função mantêm relação estreita.
- E)F – F – V.
Errada: a primeira e a segunda afirmativas não são falsas; a relação entre forma e função e o domínio de nomenclatura são pontos esperados na atuação integrada.
Gabarito: A
A Motricidade Orofacial nasceu justamente do encontro entre Fonoaudiologia e Odontologia, quando ficou claro que dentes, ossos e músculos trabalham em conjunto. Se a estrutura muda, a função pode sofrer, e vice-versa: uma má oclusão pode afetar mastigação, deglutição, fala e respiração, e alterações funcionais também podem influenciar a forma ao longo do tempo. Por isso, faz sentido dizer que há consenso entre as duas áreas sobre a relação entre alterações de forma e desequilíbrios funcionais. Na prática, o fonoaudiólogo que atua em parceria com a Odontologia precisa entender a linguagem da área: nomes, classificações e diagnósticos ortodônticos básicos. Isso evita comunicação confusa e ajuda a planejar a intervenção de modo integrado, como um time que joga no mesmo campo, só que sem chuteira, claro. Também é correto afirmar que a reabilitação morfofuncional em Odontologia pode ser pensada em três frentes: preventiva, interceptativa e corretiva. A preventiva tenta evitar o problema, a interceptativa age no começo para impedir piora e a corretiva busca tratar a alteração já instalada. Essa divisão é clássica na abordagem interdisciplinar e ajuda a organizar o raciocínio clínico. Por isso, o gabarito é a letra A: V - V - V. A questão cobra exatamente essa visão integrada entre forma e função, que é a base da Motricidade Orofacial.