Com relação à avaliação clínica da disfagia orofaríngea infantil à beira do leito, analise as afirmativas a seguir: I. Os distúrbios de alimentação compreendem um amplo espectro e estão sempre acompanhados de dificuldades específicas de deglutição, como recusa alimentar, alterações comportamentais durante a alimentação, preferências alimentares rígidas e crescimento inadequado. II. Recentemente, a literatura vem relatando um grande número de lactentes com desenvolvimento neurológico normal com disfagia orofaríngea e que apresentam, inclusive, aspiração laringotraqueal silente, principalmente para líquido fino. III. Algumas das indicações mais frequentes para avaliação fonoaudiológica à beira do leito são: baixo ganho ponderal ou perda de peso, incoordenação das funções de sucção e deglutição, alterações respiratórias, apneia e quedas de saturação associadas à alimentação. Está correto apenas o que se afirma em
- A)II e III.
A alternativa reúne as afirmativas II e III, isto é, a descrição de lactentes neurologicamente normais com disfagia orofaríngea e possível aspiração silente para líquidos finos, além dos sinais que costumam motivar a avaliação à beira do leito, como baixo ganho ponderal, descoordenação sucção-deglutição, alterações respiratórias e dessaturação durante a alimentação. Esses dois enunciados estão de acordo com a literatura clínica sobre disfagia infantil e com os achados que justificam investigação fonoaudiológica. Por isso, é a combinação correta.
- B)II.
A alternativa afirma apenas a II, que descreve lactentes com desenvolvimento neurológico normal podendo apresentar disfagia orofaríngea e aspiração laringotraqueal silente, especialmente com líquido fino. Esse conteúdo está correto, mas a proposta fica incompleta porque a III também traz critérios clínicos típicos de encaminhamento para avaliação à beira do leito, como perda de peso, incoordenação sucção-deglutição e dessaturação associada à alimentação. Assim, não é a única afirmação verdadeira.
- C)III.
A alternativa sustenta apenas a III, que lista indicações frequentes para a avaliação fonoaudiológica clínica, como baixo ganho de peso, alterações respiratórias, apneia e quedas de saturação durante a alimentação. Esses achados realmente fazem parte dos sinais de alerta em disfagia orofaríngea infantil, pois sugerem risco funcional e respiratório. O problema é que a II também está correta, então selecionar somente a III deixa de fora outra afirmativa verdadeira.
- D)I e II.
A alternativa reúne as afirmativas I e II, mas a I erra ao dizer que os distúrbios de alimentação estão sempre acompanhados de dificuldades específicas de deglutição. Na prática, transtornos alimentares pediátricos formam um espectro amplo e podem envolver recusa alimentar, seletividade, questões sensoriais e comportamentais, sem que haja necessariamente uma disfagia orofaríngea comprovada; já a II está correta ao apontar aspiração silente em lactentes neurologicamente normais. Como uma das duas assertivas é falsa, a combinação não pode ser aceita.
- E)I e III.
A alternativa combina I e III, porém a I traz um equívoco conceitual importante ao tratar distúrbios de alimentação como se estivessem sempre ligados a dificuldade específica de deglutição. Esse espectro inclui problemas de aceitação, comportamento, preferências restritas e crescimento inadequado, mas não obriga a presença de disfagia em todos os casos; a III, por sua vez, descreve sinais clássicos que justificam avaliação clínica à beira do leito. Como a presença da I invalida a combinação, a alternativa está incorreta.
Gabarito: A
A avaliação clínica da disfagia orofaríngea infantil à beira do leito começa com uma boa leitura do quadro global: história alimentar, desenvolvimento, sinais respiratórios, ganho ponderal e observação da alimentação. Em pediatria, a pista muitas vezes vem no conjunto da obra, e não de um único sintoma isolado. A afirmativa I está errada porque distúrbios de alimentação e disfagia não são sinônimos. A criança pode ter recusa alimentar, seletividade, alterações comportamentais e crescimento inadequado sem apresentar, necessariamente, uma dificuldade específica de deglutição. Ou seja, o problema alimentar é mais amplo do que a disfagia. A afirmativa II está correta. A literatura tem descrito lactentes com desenvolvimento neurológico normal que apresentam disfagia orofaríngea e aspiração laringotraqueal silente, especialmente para líquidos finos. Esse ponto é importante porque o bebê pode aspirar sem tosse, sem engasgo e sem alarde nenhum, o que engana bastante na avaliação clínica. A afirmativa III também está correta. Baixo ganho ponderal, perda de peso, incoordenação sucção-deglutição, alterações respiratórias, apneia e dessaturações associadas à alimentação são indicações frequentes para a avaliação fonoaudiológica à beira do leito. Por isso, o gabarito é A, pois apenas II e III estão certas.