Vários aspectos interferem nos resultados obtidos com o implante coclear, tanto em adultos como em crianças. Um aspecto importante para o sucesso do implante coclear é
- A)a idade a ser realizado o implante; em casos pré-linguais, o resultado será bom independentemente da idade e do momento da cirurgia.
Errada, porque a idade e o momento da cirurgia influenciam o resultado, mas não garantem bom desempenho independentemente do caso, especialmente nas perdas pré-linguais.
- B)o tempo de privação sensorial auditiva; quanto maior o tempo da deficiência auditiva, mais esforços devem ser empregados para que o cérebro perceba a sensação de audição.
Certa, porque quanto maior o tempo de privação auditiva, maior a dificuldade do cérebro em aproveitar a estimulação elétrica do implante coclear.
- C)o número de células ganglionares remanescentes; a estimulação elétrica dos eletrodos intracocleares pode promover a morte das células ganglionares remanescentes.
Errada, porque o número de células ganglionares remanescentes pode influenciar o resultado, mas a estimulação elétrica não promove, por regra, a morte dessas células.
- D)a terapia fonoaudiológica especializada; o processo deverá ser baseado na Comunicação Total, por ser o método ideal para estimular as habilidades auditivas.
Errada, porque a reabilitação fonoaudiológica é importante, mas não existe obrigatoriedade de baseá-la em Comunicação Total como método ideal para todos os casos.
- E)a avaliação do funcionamento do implante coclear; deve ser feita uma vez por ano pelo profissional da empresa fornecedora do implante.
Errada, porque o acompanhamento do implante coclear é contínuo e multidisciplinar, e não deve ser limitado a uma revisão anual feita apenas pela empresa fornecedora.
Gabarito: B
No implante coclear, o resultado não depende de um único fator isolado, mas alguns pesam muito mais do que outros. Entre os principais estão o tempo de privação auditiva, a idade em que o implante é feito, o uso adequado do dispositivo e a reabilitação fonoaudiológica. Quanto maior o tempo sem estímulo auditivo, maior a chance de o sistema auditivo central ter menos aproveitamento do sinal elétrico captado pelo implante. É por isso que o gabarito é a letra B. A privação sensorial auditiva prolongada reduz a plasticidade auditiva e dificulta a reorganização das vias centrais para interpretar a nova forma de estimulação. Em outras palavras: o ouvido recebe o estímulo, mas o cérebro pode não estar tão treinado para transformar isso em percepção útil de fala. Isso é especialmente importante em casos de surdez pré-lingual e em perdas auditivas muito antigas, porque o cérebro ficou mais tempo sem a informação sonora. Nesses casos, o implante ainda pode trazer benefício, mas o desempenho costuma ser mais variável e a reabilitação precisa ser mais intensa e cuidadosa. As outras alternativas tentam confundir você com ideias meio plausíveis, mas erradas. Nem a idade por si só garante bom resultado, nem a estimulação elétrica mata células ganglionares como regra, nem a terapia fonoaudiológica se baseia em Comunicação Total como método ideal universal. E a avaliação do implante não deve ficar restrita a uma vez por ano e, muito menos, apenas pelo fornecedor.