A avaliação da comunicação, em determinadas alterações de linguagem, envolve alguns objetivos específicos, como a determinação das funções comunicativas utilizadas pela criança, o uso de gestos, expressões vocais e contato corporal e a compreensão dos aspectos verbais e não verbais da comunicação. Esses cuidados na avaliação referem-se ao
- A)atraso de linguagem.
Errada, porque o atraso de linguagem não é definido principalmente por prejuízo na comunicação social e no uso de gestos e sinais não verbais.
- B)transtorno fonológico.
Errada, pois o transtorno fonológico afeta a produção dos sons da fala, e não a avaliação ampla das funções comunicativas.
- C)transtorno de comunicação em síndromes genéticas.
Errada, porque síndromes genéticas podem cursar com alterações de comunicação, mas o enunciado aponta para um perfil específico de comunicação social e não verbal.
- D)distúrbio específico de linguagem.
Errada, já que o distúrbio específico de linguagem foca dificuldades linguísticas mais estruturais, não sendo o quadro clássico de prejuízo na reciprocidade comunicativa.
- E)transtorno do espectro do autismo.
Certa, porque o TEA exige avaliação da comunicação social, do uso de gestos, expressões vocais, contato corporal e compreensão dos aspectos verbais e não verbais.
Gabarito: E
A questão descreve um tipo de avaliação que vai muito além de medir pronúncia ou vocabulário. Aqui, o foco está em observar como a criança usa a comunicação no dia a dia: para que ela fala, quais funções comunicativas aparecem, se ela usa gestos, olhar, expressões vocais, contato corporal e como compreende os sinais verbais e não verbais ao redor. Isso é típico quando há suspeita de alteração do espectro autista, porque o núcleo do problema envolve comunicação social e interação, e não apenas a linguagem em si. No transtorno do espectro do autismo, a avaliação fonoaudiológica precisa olhar a comunicação de forma ampla: intenção comunicativa, reciprocidade, uso compartilhado de atenção, gestos e leitura do contexto. Em outras palavras, não basta verificar se a criança fala, mas como ela se comunica. Às vezes ela até tem fala, mas usa pouco a comunicação para trocar com o outro, o que acende o alerta. Por isso, o gabarito é a letra E. O enunciado praticamente entrega os critérios clássicos de avaliação da comunicação social no TEA, alinhados aos referenciais clínicos e aos manuais diagnósticos, como o DSM-5-TR, que destacam déficits persistentes na comunicação social e na interação. Na prática fonoaudiológica, essa avaliação busca mapear tanto o verbal quanto o não verbal, exatamente como a questão descreve. As demais alternativas falam de quadros em que o problema central é outro: atraso de linguagem, alteração fonológica ou distúrbios específicos de linguagem podem impactar fala e linguagem, mas não têm como eixo principal a análise de funções comunicativas e comunicação não verbal com esse peso.